O meu último dia do ano foi passado aqui no Sítio, o único lugar (como eu já te disse) com o qual eu realmente tenho alguma afinidade, o único cantinho do mundo que realmente chamo de meu. Cidades vêm, cidades vão, com seus charmes e inconveniências, muitas ótimas para visitar, algumas até boas para morar, sem lá grandes predileções... Mas aí tem o Sítio. Aquele lugar que eu conheço desde que me conheço por gente, palco de minhas primeiras lembranças, a casa que tem a minha idade (ficou pronta quando eu nasci), com suas araucárias lindas, a cachoeira, os laguinhos, as árvores em que já subi, as frutas que já comi do pé, o local onde eu pendurava minhas redes, o jardim onde brinquei tantas vezes em tardes sonolentas... Puxa, se fosse enumerar todas as memórias preciosas, todos os momentos especiais que eu já vivi aqui, não teria nem espaço no próprio blogger (se é que existe um limite de espaço, mas se existir, ainda sim é maior).
Mas enfim, fora as sentimentalidades, não é só do lado de fora que as coisas são interessantes – na verdade, passei o último dia do ano praticamente todo dentro de casa. No dia em que chegamos, à tarde, choveu horrores, e no dia de hoje ainda estava tudo úmido, com uma chuvinha que ia e voltava. Assim, fiquei por aqui, ajudando a Oma na cozinha com os preparativos da ceia de ano novo (e do Goulash que vamos comer amanhã no almoço, lol). Já sei fazer molho de salada desde pequena, além de uma ou outra coisinha, mas cada vez aprendo alguma coisa nova. Um pouco mais na observação do que fazendo algo de fato – a Oma é um verdadeiro general na cozinha, e é preciso pedir sua autorização explícita antes de fazer as menores coisinhas, até mesmo no tamanho em que cada vegetal ou tempero deve ser picado... Enfim, se a comida fica gostosa desse jeito, acho que realmente é pela disciplina férrea que ela mantém em seus “domínios”.
Aprendo muito vendo a Oma cozinhar, e não falo só de pratos novos – todo o jeito dela fazer as coisas é interessante. Ela não é daquelas de seguir uma receita ao pé da letra – ela dá uma olhada na despensa, vê os ingredientes que temos, escolhe uma receita que se assemelhe e vai mudando coisas, adicionando, substituindo, enfim, deixando tudo do jeito dela. É aí que eu aprendo aquele truquezinho na hora de esquentar a gelatina, aquele jeito de cortar laranjas, aquela colherzinha a mais ou a menos de maisena que faz a diferença em uma receita... E isso é o tipo de coisa que receita nenhuma substitui, que realmente dá personalidade ao que ela cozinha. A Oma é uma cozinheira de mão cheia justamente porque tem todas as “manhas”, todos os jeitinhos de combinar e mudar o sabor das coisas, para um resultado sempre delicioso...
Espero, um dia, poder ter pelo menos uma partezinha do jeito que ela tem para a coisa... Mas só se aprende muita coisa na prática, não é? (oh-oh... prepare-se, meu bem, que provavelmente você vai acabar sendo minha cobaia...)
A cozinha, também, não é só um lugar de preparo de alimentos, mas também das conversas mais interessantes do Sítio: com uma audiência exclusivas, são trocadas fofocas, dados conselhos, enfim, conversa-se sobre praticamente tudo (grande parte, em alemão), e damos tantas risadas...
O mais engraçado foi nos últimos preparativos para o jantar, quando o papai estava ajudando a Oma na cozinha: os dois com a mesma dose de cabeça-dura, (porque, veja bem, há uma diferença entre teimosia e dureza cabeçal), trocando farpas sobre a melhor forma de se preparar um molho ou descascar uma laranja... Enfim.
A ceia de ano novo teve tudo de aura de ocasião especial do que o Natal não teve – não sei por que, é praticamente só no Sítio que consigo sentir esse ar – talvez seja alguma coisa em preparar a comida toda durante o dia, ou das velas da coroa de advento na sala, ou dos biscoitos decorados que são praticamente uma obra de arte, ou a escuridão que nos cerca – de qualquer forma, é um sentimento diferente. Não é lá uma emoção forte, mas um sentimento de que há algo de mais na situação, de que há o silêncio necessário para realmente pensar no que está acontecendo...
Talvez seja o silêncio que torne as ocasiões especiais realmente especiais aqui.
A noite de ano novo não foi lá a coisa mais animada – comemos um monte de comida gostosa, bebemos champanhe, vimos alguns DVDs de música (porque assistir a Globo à noite é o FIM nesse dia específico...) e, finalmente, assistimos aos fogos de Copacabana pela televisão, e logo depois fomos dormir... Sem antes, é claro, que você ligasse e me desse mais um sorriso nessa noite ^^
Assim começou meu ano: cercada da parte mais tranqüila da minha família, em meio ao silêncio da noite, apenas entrecortada por um ou outro rojão que uns vizinhos engraçadinhos resolviam soltar (e deixavam os cachorros malucos!)
Com o ano que termina, resta fazer um pequeno balanço geral: e aí, o que aconteceu em 2009?
Muita. Coisa.
Foi, basicamente, um ano de mudanças: comecei o ano como uma menininha assustada, ainda meio traumatizada da escola e enfrentando uma cidade a Luisa que está aqui agora (afinal, quem sou, embora se transforme, não muda em seu cerne), que se sente bem em casa e vive de forma totalmente diferente de como vivia quando o ano começou...
Foi um ano de vitórias, assim como um ano de grandes desafios: cursinho, vestibular, mudanças, apertos de parafuso emocionais, adolescência de irmão, e umas reviravoltas amorosas, algumas que o senhorito conhece ao fundo, outras que nem tanto...
Foi um ano de estudos, metade enfadonho, metade extremamente interessantes. Foi um ano de me encontrar de novo, de descobrir quem eu sou sem as amarras de uma convivência traumática, de descobrir que sou uma pessoa razoavelmente sociável, que posso ter amigos sem problemas, que posso relaxar o aperto de ferro que tinha sobre minhas emoções, que posso, enfim, relaxar quando estou perto de outras pessoas.
Mas esse ano, quando já chegava ao fim, me deu também um amor, assustadoramente grande, que só crescia enquanto o ano chegava ao seu fim, e que promete continuar e crescer nesse ano que começa...
Assim, termino este ano com um balanço positivo – muitas mudanças, muitas reviravoltas, muitas adaptações – para que nesse ano agora avance com um passo mais firme rumo aos meus objetivos, e, talvez ouse até dizer, meus sonhos...
Passa um dia, começa outro – na realidade, o Ano Novo é só isso -, mas é uma oportunidade interessante de colocar um marco, um dia para olhar para atrás e até ousar olhar para frente...
Que esse ano que começa agora seja muita bom para você, amor!
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