quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Balanço geral 2009

Primeiramente, gostaria de me desculpar pela falta de posts realmente substanciais por aqui. É que está realmente complicado arranjar uma conexão à internet por aqui, espero que lá em Ilhéus isso melhore. Tem também o problema da inspiração. Os dias estão todos bastante parecidos, então inspiração que é bom pra escrever alguma coisinha legal é duro. Se, ao invés de inspiração, eu precisasse de transpiração, seria o melhor escritor brasileiro vivo no momento.

Mas enfim. O objetivo desse post é ver o que eu consigo lembrar desse ano de 2009 e fazer um pequeno balanço do que foi. Acho interessante se você fizesse isso também Lis, sei lá, nem que seja para dar uma comparadinha.

Vamos lá: Janeiro/Fevereiro 2009. Enfim. Não tenho, aliás, nunca tenho (e tomara que essa tradição seja quebrada em 2010) alguma coisa interessante para ser dita desses dois meses. É meio para o fim das férias, e geralmente começo (como sempre) esse período em Salvador, derretendo, como em todo ano, e termino em casa, fazendo nada, com exceção de uma ou duas saidinhas num período de 45 dias. Ou seja, foram meses bastante parecidos como janeiro e fevereiro de qualquer outro ano que já tive na vida.

Março/Junho. Vou agrupar aqui esse conjuntinho de meses. Como dá para perceber, ele compreendem o período do primeiro semestre do ano, meu segundo do curso. Enfim, foi um semestrezinho deveras sem-graça. As únicas coisas de relevo são a incrível marca de 7 SS em 7 matérias (mais um reflexo de que eu não tinha mais nada pra fazer mesmo) e a minha amizade com a Dani, que nasceu, cresceu e, praticamente, morreu nele. Foi uma amizade bastante importante para mim, daquelas que, se não estivessem lá, deixariam um vazio daqueles de deixar a pessoa para baixo. Foi também um semestre de professores picaretas, um ou outro que valham a pena, bem diferente do que vai ser o seu próximo (sim, pelo que tá na comunidade da sua turma, você vai ter um plantel de professores de respeito, pode se preparar para ralar), o que também colaborou pros 7 SSs.

Julho. Separei julho de junho por um simples motivo: as pendengas com a Bárbara. Foi nesse mês que a gente meio que ensaiou uma volta, mas enfim, acho que, inconscientemente, já sabia que não seria nada sério, já que ela viria a passar no vestibular da UFOP, e fosse pra longe. Tem também a metade das férias de meio de ano, que, pelo que me lembro, foram um pouco menos desanimadas do que de costume, tendo sido passadas em Brasília mesmo.

Agosto. Mês um pouco interessante. Teve o finzinho das férias, que não teve o mesmo fôlego do início. Teve também uma coisa bastante esquisita com a Taísa. Sabe todo aquele ritual maluco pelo qual os calouros têm de passar pra fazer registro e não sei o que mais? Então, eu fui ajudá-la naquilo tudo. Acho que, também inconscientemente, foi uma maneira de eu dar uma "última chance" pra mim mesmo em relação a ela. Resultado? Meio que o sentimento morreu de vez ali. Apesar de eu continuar achando ela uma pessoa maravilhosa, avabei me dando conta que o que eu tava alimentado na minha cabeça era uma coisa que já nem existia mais, só tava me impedindo de olhar pra frente. É bom lembrar também que foi nesse mês que começaram as aulas, e, com elas, o curso de formação das PLPs, no qual eu conheci a senhoritazinha...

Setembro. Mês bastante curioso. Foi quando fiz meus 18 anos e, também, o último mês que eu realmente estudei pesadão, como quem não faz mais nada da vida, nem tem nenhuma outra distração. Foi também o mês que eu encuquei de vez com uma caloura loirinha baixinha invocada, tendo culminado, inclusive, num primeiro beijo com ela, no "remarkable" dia 22. No finalzinho teve a SEMEx e tals, mas vou me referir a ela no próximo mês.

Outubro. É nesse mês que a loirinha a que me referi antes começa a ser o centro de gravidade das minhas atividades. E como eu gostei que isso aconteceu! Foi simplesmente mágico "acordar antes de ver a Lis"; "almoçar mais cedo pra pegar meus 3 ônibus pra ver a Lis", "ir a aula depois de passar uma tarde com a Lis" e qualquer outra atividade que vinha, necessariamente, precidido de um "antes" ou "depois" de outra atividade com a minha namorada. Porque sim, apesar de ainda me soar um pouquinho esquisito, foi nesse mês de outubro que pedi ela em namoro, bem no comecinho, dia 3, num "jantarzinho" que estava pedindo isso lá no Japs. Enfim, já estávamos meio que namorando já há algum tempo, embora não tivesse "exclusividade". Foi em outubro que aconteceu grande parte da SEMEx também, que foi uma das experiências mais maravilhosas que me aconteceram na UnB. Não só pelas boas oficinas e panéis, além do discurso de encerramento do reitor, que acho que foi o único dele que eu realmente gostei. Mas também porque foi naquela semana em que eu pude, sem a encheção de saco das aulas, gastar um tempo ótimo contigo Lis. Porque foi lá que, como me lembrou a linda Lua Cheia (blue moon ainda por cima, veja só) no céu ontem (a única coisa boa que eu achei de Salvador ter sido o único lugar no Brasil em que o céu estava claríssimo) que passamos grandes momentos sentadinhos naquele gramadão lindo da UnB, sob os auspícios (hehe, forcei pra usar essa palavra) de uma das trilhas sonoras mais djows, passando de flautas bolivianas e um gaitista muito bem colocado. Esse mês também me deu a alegria da exclusividade (dia 9), um dia bastante maluco, que, como depois ficou sabendo, foi muito mais dele do que meu, mas, ainda asism, um dia ótimo. Teve também o dia 20, que foi, bem... foi o dia 20 né? Não preciso te dizer o que que aconteceu. E assim seguiu. Foi aqui também que tive minhas primeiras provas da faculdade, nas quais consegui alguns resultados incríveis, se formos comparar com a dedicação com que me preparei para elas. Foi tabém o mês no qual comecei e terminei as aulas teóricas da autoescola.

Novembro. Foi o mês das aulas práticas da autoescola. Foi também o mês em que eu consegui com que a dita loirinha entrasse no concretinho da minha vida. Foi quando o sonho começou a tomar ares de realidade, sem, por isso, se perder a sensação de que estávamos sonhando. É, tirando isso, não foi lá um mês de grandes coisas não.

Dezembro. Mês derradeiro, que está tendo seu último dia hoje. É o mês no qual passei uma semana aqui na Bahia, derretendo ao sabor do Sol. Foi também o mês das últimas provas, nas quais consegui resultados medíocres por vezes mas, na maioria, bem melhores do que o esperado. O mês no qual recebi minha carteira de motorista (que ainda não foi usada, diga-se de passagem) Mas foi, principalmente, o mês em que eu e minha loirinha aprendemos mais um com outro. Tivemos uma rotina conjunta. Sentimos mesmo que um faz parte da rotina do outro e que, além disso, conseguimos montar uma rotina conjunta. Foi o mês que esse blog começou, vindo da necessidade de contato após a notícia de que estaríamos tanto tempo longe um do outro. Foi o mês da saudade, onde o recorde de (in)expressivos 3 dias um longe do outro foi quebrado, dando lugar a impressionante marca de já 14 dias, (wow, 2 semanas completinhas longe de ti). Foi o mês das horas complementares que eu quase não consegui fazer por ter deixado em cima da hora por querer ficar cada segundinho junto dela. Foi o mês em que choramos juntos não mais por causa das complicações de um possível namoro, mas sim por causa das complicações de um namoro efetivo, a distância. Foi o mês em que eu realmente vi que amava de verdade essa invocadinha que hoje diz que me ama (lembra que é só isso que você tem de fazer pra eu continuar do seu lado). É o mês da viagem de todo o ano, para ver as pessoas e fazer as coisas que se faz todo ano. Enfim, dezembro é o último mês de um ano que eu realmente acho que valeu a pena, um ano de muitas primeiras vezes, e, acima de tudo, o ano 1, duma coisa que eu quero que dure bastante ainda, mas que, se não der pra durar muito, quero que se lembre que olharei pra trás sempre com um sorriso no rosto, como o faço agora, quando lembro do que foi 2009 para mim.

Feliz ano novo Lis. Nunca se esqueça de que eu te amo. Muito menos duvide disso. Você continua sendo a coisinha mais linda que já olhou pra mim. Do SEU fofinho, Gil.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2 Poesias antes de partir...

Não é propriamente uma despedida - você tem o meu telefone lá no Sítio, eu tenho o celular do seu pai por aí - mas só uma pequena despedida do Blog, já que vou ficar alguns dias sem atualizá-lo. De uma forma ou de outra, vou continuar tirando fotos e escrevendo as coisas no Harry, para publicar tudo de uma vez assim que tiver acesso à internet "civilizada".

Mas a razão de eu estar aqui, logo antes da gente ir pro Sítio e ameaçada de ser arrastada a qualquer minuto, é para colocar duas poesias (não muito boas, na minha opinião, mas fazer o que) que me ocorreram ontem, quando eu estava em um humor todo poéticozinho...

Enfim, lá vão eles:
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Se dizem que paixão é fogo
A minha é fogo de lareira
Que não destrói ou acaba logo
Mas só aquece a noite inteira
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Fogo brando, fogo vivo
Fogo leve e absorto
Fogo alegre e amigo
De carinho e de conforto
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Mesmo calmo, ainda é fogo
Tão sincero, tão intenso
E inegável seu calor
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Que me envolve como um todo
E alimento-o, eu penso
De paixão para amor.
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Fecho os olhos e o mundo some
Para acomodar só você
Em meus pensamentos, em que o mundo
É pequeno, diante do meu:
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Em que seus cabelos são todas as florestas
Em seu rosto, todas as montanhas
Em sua voz, todos os ventos
Em seu olhar, todos os mares...
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E meu mundo-você é completo
Mais completo que o mundo-real
Pois abraça todos meus sentidos
E me faz sentir por inteira.
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Abro os olhos e nada me basta
Nem as mais sublimes belezas
Talvez não seja o mundo incompleto
Mas só eu, quando estou sem você.
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LoL, essa aí nem rimou, mas sei lá... às vezes não me dá vontade de rimar.
De ontem pra hoje, demorei pra dormir - uma hora meu pé estava quente, outra hora a Oma se mexia muito, outra hora eu estava agitada... E quando finalmente dormi, tive um monte de sonhos bizarros, desde eu estar em um barco enorme com a família do meu pai, até o Daniel lá, inexplicavelmente, conversando comigo, até um irmãozinho recém-nascido meu, em que queriam colocar um nome árabe bizarro, até o House aprendendo a dançar com um monte de criancinhas e uma estranha guerra contra um inimigo desconhecido que dominava máquinas. Ou seja, uma doideira total :P:P:P
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Mas agora eu preciso ir... Enfim, meu amor, espero que você continue escrevendo por aqui, aproveite bem suas férias aí, não derreta de calor porque eu te quero inteiro quando vieres para cá - e não esquece que, mesmo sendo mimada e carente, eu te amo de mais, tá?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Lis, não seja mal-criada, amor. Eu te disse que ia ser difícil conseguir computador com certa freqüência. Eu também sinto saudades sua amor. Não esquece disso. Em se, às vezes, eu não consigo fazer com que você acredite nisso quando estamos juntos, quando estamos a mais de 2000 km de distância pode ser bem complicado. Estou numa conexão meio complicada aqui, tenho que ter pressa, vim só pra dar uma olhada. Vou continuar abastecendo o blog, mesmo sabendo que você não está vendo. Te juro, Lis, se não tenho te dado a atenção suficiente, é porque eu realmente não tenho conseguido fazer isso.

Te amo, Lis, e já anotei o telefone do sítio. Hoje a noite você vai receber um telefonema, visse?

Até a próxima, amor, e lembre-se que vão ser dias bem complicadinhos pra mim também.

Beijos, beijos e beijos.
Nhaw, pelo jeito alguém desanimou de escrever aqui, né?

Mas tudo bem. Só passei aqui para esperar alguma notícia sua, na real, e como não tenho, só deixar um pequeno aviso:

Não espere que eu escreva aqui também até o dia 5 de Janeiro, já que amanhã vou para o Sítio, onde não há acesso a internet, e não pega nem mesmo celular.

O telefone de lá é (047) 3632-2244

Até quando você quiser falar comigo ^^

Beijos

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Do calor, do dia de ontem e mais umas outras coisinhas...

...porque, ao contrário de você, amor, nem quando não tem nada para contar eu consigo ser breve... Sei lá, é quase que uma terapia ficar aqui escrevendo, nem que seja para fazer o tempo passar...

Enfim, depois de tantas reticências, eis os assuntos em pauta:

1- Quais os livros a respeito de história do Brasil que você já tem? (pergunta da Oma)
2- Falar um pouco mais do mar e da chuva, que aquele momento foi tão bonito que eu quero deixar alguma coisa dele registrada para a "posterioridade"
3- Comentar o meu pequeno desespero com essa @!@!@%#&#@#$&@¨#%&@#¨ de tecnologia, que falha bem nos momentos mais inapropriados, tsc tsc...
4- De como logo chegaremos na marca dos 20 dias, e, eu espero, logo começaremos uma contagem regressiva deliciosa e um pouquinho agonizante
5- De como não é o sol da praia, mas o insuportável calor úmido de Joinville que está fazendo sua pobre namorada derreter...

Bem, como nunca tive aqueeele interesse todo por matemática (embora minhas notas sempre fossem teimosamente altas), vou começar pelo final e sair da ordem que coloquei. Para seguir a "tradição", eis meu estado atual:

Estou aqui, usando aquela bermuda branca e a blusa sem manga, rosa com detalhes coloridos que a Oma me deu de natal, com uma trança embutida enorme e elaborada que eu tive tempo de fazer porque terminei de arrumar minhas malas um tanto mais cedo. Neste exato momento, não estou com o Harry, mas sim no PC da Oma, que não tem nome, mas quanto à velocidade parece movido a manivela. Mas enfim, não é preciso lá taanta velocidade para se escrever num blog, então não vou reclamar.

Ah, sim, e mal consigo aguentar no escritório, porque o frio do ar condicionado da sala e do ar condicionado do quarto ainda não chegaram por aqui.

Joinville no verão, eu preciso dizer, é um inferno.

Não que a cidade não seja bonitinha, com um monte de lugares e lojinhas interessantes (e livrarias na esquina de casa *-* ): a grande questão é a combinação mais fatal quando se trata do clima: quente e úmido. Além do calor de derreter meu pobre cérebrozinho, a umidade toda faz com que fique difícil até de respirar, com que nem a sombra consiga aliviar nosso suplício, e a falta de altitude faz minha pressão ir lá pra baixo (pra você ter uma idéia, o meu normal é 10 por 5). Então, além de suada e encalorada, eu viro uma zumbi tonta e meio burrinha, suada e encalorada. Por aqui, tudo me faz querer deitar num cantinho (com o ar condicionado ligado no máximo, de preferência) e dormir, dormir, dormir...

Neste momento, você deve é estar revirando os olhos: quem sou EU para reclamar se o senhorito está aí em Salvador, provavelmente derretendo mais do que as calotas polares nos piores prognósticos de ambientalistas? Pois é, em minha defesa só posso dizer que não tenho sangue baiano nas minha veias, e eu deixo você reclamar mais do que eu do frio quando estivermos em alguma missão diplomática na Sibéria...

Enfim, mas após meu desabafo de calor, findo dizendo que só mesmo para escrever pra você que eu aguento esse forninho aqui (mimimi, e não é nem uma das suas metáforas bizarras, e sim só um local abafado e quente).
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Outro assunto agora... Ah sim, retomando: livros. Que livros você tem da história do Brasil, amor? Por razões que eu não revelarei (mas devem ficar meio óbvias), a Oma quer saber. (e eu tenho uma certa curiosidade também, afinal, eu também posso emprestar um ou outro livro de você, não?)
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Pronto, esse foi rápido. Agora, com dois itens menores riscados da "pauta", vamos aos maiorzinhos (aiaiai, Gilberto deve estar pensando... essa menina vai escrever aí pra sempre!)
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Sobre as falhas tecnológicas de ontem, eu quase tive um treco. Não bastasse a queda de energia e da torre de celular bem na hora em que você ia ligar (damnit, parece que o mundo conspira...) ainda foi acabar a bateria do celular bem quando eu falava com a sua tia. SUA TIA!!! Mó medinho meio irracional de causar algum incidente diplomático, sei lá... "menina mal educada essa, que desliga na cara das pessoas..." Realmente espero que ninguém tenha levado a mal. Aliás, fale para ela muito obrigada pelo convite, e desculpas pelas "falhas técnicas" aqui. Reitero isso porque cheguei a ficar meio preocupadinha ontem à noite, mas enfim... :P:P:P:P:P
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Hoje de manhã, quando acordei, não quis nem ir para a praia, só fiquei ouvindo música e arrumando as malas, enfim, relaxando no frescor do ar condicionado do quarto, só de vez em quando olhando para o mar e o sol escaldante lá fora...

É que, quando você tem uma experiência que beira a perfeição, o melhor que se tem a fazer é mante-la como uma última memória, sem a sobreposição com outras normais... Assim, tive a felicidade de poder escolher que meu último momento no mar dessa "temporada" fosse, justamente, entrar no mar com a chuva...

Na hora do almoço tínhamos ido almoçar fora do hotel, e dez minutos andando pelas ruas de Bombinhas, com aquele sol escaldante e sem a brisa do mar por perto, me nocautearam completamente: minha pressão foi lá para baixo, eu estava mais tonta do que um bêbado depois de uma montanha russa, e me entoquei no quarto, com o Harry em cima da barriga, sem querer saber de sol, calor ou mundo exterior por um bom tempo.

Aquelaassim sendo, foi da mais pura e total morgação: enquanto esperava (em vão, snif, snif) por algum post seu, aproveitava para ver e-mails, ver coisas eventualmente interessantes na internet e talz e talz...

Até que mamãe chegou e, cansada de me ver largada na cama, chamou para uma caminhada na praia. Como o céu estava mais nublado e a internet tinha esgotado suas coisas interessantes, resolvi acompanhá-la.

Estava uma caminhada normal, no começo: céu encoberto por nuvens, água do mar quentinha de sol nos nossos pés, comentários (às vezes mordazes) sobre as pessoas passando, comentários da mamãe sobre pessoas que ficariam me olhando (segundo ela, estava a um passo de estapear a todos), e por aí vai...

...até que começou a chover.

No começo, era um ou outro pingo, facilmente confundível com algum espirro da água do mar ou de alguma pessoa mal-educada jogando água dos outros. Isso é, até que começamos a ver a areia. Eram pingos grossos grandes, daqueles que chegam a doer nos ombros, e faziam uma barulheira assombrosa ao bater na areia, deixando sulcos redondos ao nosso redor. O mar, que antes parecia um enorme pedaço de seda verde ondullante, agora tinha o aspecto enrugado da lã, ou de um enorme alto-relevo ondulante, como uma cobra gigantesca que ondulasse seu corpo para se mover.

Andamos um bom pedaço embaixo de chuva, aquela abençoada chuva que aliviava o calor de fim de tarde, com um cheiro de frescor e água doce, e aquela sensação arrepiante tão conhecida da força de uma tempestade...

Enquanto sentia meu vestido ficar encharcado, meu cabelo pingando e meu espírito mais leve do que esteve em dias, uma idéia me ocorreu: se sentir apenas aquele aspecto de força natural já era uma coisa, que dirá ficar entre o mar e o céu? Eu já estava molhada mesmo, e provavelmente a água do mar estaria bem mais quente do que a água da chuva...

Assim, mesmo com os protestos da Oma (você vai ser eletrocutada, menina!), eu vesti rapidamente o meu biquíni e pulei na água.

Os caras jogando futebol na areia ficaram até assombrados: de repente sai uma doida correndo do hotel, especialmente por causa da chuva e, ao invés de seguir o movimento lógico, que seria buscar abrigo, corre para o mar, com um sorriso enorme no rosto. Mamãe logo me acompanhou, já que ela já estava com o maiô bem antes, e por um tempo ficamos as duas lá, boiando no mar, sentindo a força da maré nas pernas e os pingos de chuva nos braços. Cercada de água por todos os lados, do movimento incessante do mar, do ritmo caótico das gotas de chuva, e até mesmo do som distante dos trovões... Em meio àquelas forças que eram tanto acalanto quanto destruição, me sentia uma criança de novo: mergulhava, girava de braços abertos, sentia a chuva no rosto enquanto boiava... Foram minutos estranhos, com minha mente completamente vazia de abstrações, apenas experiências sensorias e sentimentos inexplicáveis, apenas o mar e a chuva, mamãe e eu...

Quando os raios começaram a vir, mamãe praticamente me arrastou para fora. Ainda fiquei um tempinho a mais na chuva, enquanto esperava poder tomar um banho - mas aqueles poucos momentos no mar, mesmo que para um observador não pareçam nada de especial, vão ficar estampados em minha memória. É um daqueles momentos tão raros em que me sinto simplesmente viva, sem complicações, incondicionalmente, completamente viva.

Um dia, meu amor, eu vou te beijar na chuva... Já temos essa coisa com tempestades, e talvez possamos aproveitar uma dessas chuvas brasilienses para você ver como é bom... Porque mesmo em um momento perfeito como aquele, só a sua presença poderia torná-lo ainda melhor... Sim, mesmo que fosse com seus resmungos de "isso não é prudente", ou "isso não é certo" - talvez você também acabasse se rendendo a esse mundo tão estranho, mas tão belo...
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Agora, para finalizar essa postagem gigantesca, apenas uma coisa que constatei: uma parte da viagem já se foi... A distância que começou no dia 16 já passou até o dia 28, e logo chegamos na metade de nosso pequeno suplício. Quando eu estiver lá no Sítio, passaremos a marca dos 20, e em um piscar de olhoos estaremos nos 10, em uma contagem regressiva que, mesmo que só faça aumentar a saudade, será uma saudade boa, com uma promessa de reencontro cada vez mais perto...

Enfim, com as pressões do calor, da mamãe querendo ver o e-mail e do tamanho gigantesco da postagem, eu me despeço por aqui... E peço, meu amor, que escreva logo para mim, já que, quando eu for para o Sítio, vou ficar uns bons dias sem acesso algum à internet...

Te amo de mais, fofinho...

Sem assunto

Pois é amor, escrevo mesmo só pra mandar notícias e pra dizer que você não disse se vocês aí do Sul iriam querer alguma coisa daqui da Bahia.

Enfim, ontem a noite a comunicação realmente estava muito boa, mas foi excelente conversar contigo com aquela vozinha contente, de quem realmente está curtindo as férias.

Okey, com o endereço em punhos, madarei a carta que estou planejando. Não espere nada muito fodabulástico não, ok?

Ah, reze para que eu não derreta com o Sol, okey?

Meu amor por ti é maior do que esse marzão de todo dia. (e se você acha essa faixa de areia larga, é porque você nunca foi a Aracaju, lá dá uns 150m de areia)

domingo, 27 de dezembro de 2009

Essa maldita técnica...

...porque aí acontecem aquelas situações bizarras de, bem qdo eu estou falando com a sua tia, acaba a bateria do celular. E quando eu pego o celular da Oma ou da mamãe para ligar, só dá na caixa de mensagens...

Mas enfim, meu amor, peça desculpas a eles em meu nome, que a bateria foi acabar justamente no momento mais infeliz...

Te amo de mais, meu amor, e quando estiver de volta em Joinville, escrevo mais, tá bom?

Beijos e beijos e queijos ^^ (daquele queijo minas que você tanto gosta)

Trivialidades



Então cá estou eu, no ar-condicionado do quarto, tendo tomado só uma ducha de água fria, mas toda cheirosa em virtude do creme pós-sol pras minhas queimaduras que já estão quaaase boas... Para vir falar umas besteirinhas pra você.




Nada de mais acontecendo, na verdade - só a praia, o dia bonito, tomar um pouco de sol na barriga pra ela não ficar tão transparente, nadar no mar com a camiseta gigante da Oma pra não piorar minhas queimadurazinhas, caminhar com a mamãe, ler, ler, ler mais um pouquinho, me empolgar com o que eu leio, comentar o que eu leio, enfim... praia.
Entonces, só passei aqui para deixar o endereço mais fácil de me encontrar (e o único que eu sei: Curitiba.)
Rua Carlos de Campos, n.460, ap. 41.
Bairro: Boa Vista
Curitiba-PR
Brasil
CEP: 82540-110
Iria falar algumas coisinhas bobas que conversaria com você se você estivesse aqui, desde minhas dúvidas sobre cortar a franja até sobre as marquinhas de biquini, mas estão praticamente me enxotando daqui que o povo está com fome e quer almoçar...
Então, lá me vou. Ah, sim, e as fotos são as poucas que tiramos antes de acabar a bateria... Basicamente, um pouquinho da pousada aqui ^^

Quero contar-te meus planos...

...que um dia, ainda vou realizar.

Sem fotos nessa postagem, já que a bateria da minha câmera está carregando neste exato momento... Mas, de uma forma ou de outra, está aqui o que eu vou fazer:

No dia em que viermos juntos para a praia (talvez até aqui em Bombinhas, ou talvez em qualquer outro lugar desse vasto Brasil), depois de um dia talvez de mar, talvez de morgações e leituras na praia, ou talvez até de outro tipo de atividade em lugares mais privados, irei te arrastar para a praia à noite. Sim, arrastar, com um Gilberto resmungão, repetinto o "você é louca, menina" como um mantra enquanto é forçado a colocar o calção de banho às dez da noite, (sem passar filtro solar, hehe).

Iremos andar pela praia em uma noite quente e sem nuvens, sentindo a água morna do mar em nossos pés, conversando, rindo e se abraçando... Até que, talvez, em outro pequeno acesso de "loucura" minha, eu resolva entrar na água. Assim, de noite mesmo, com o mar mais escuro que o céu, iluminado apenas pelo reflexo branco da lua...

E você, meio exasperado, resmungando pelo frio que virá depois e pela notável falta de toalhas, ficaria na areia, de braços cruzados, até que fosse arrastado novamente para a água.

Uma vez dentro, depois de uns carinhos e algumas palavras, você talvez relaxasse um pouco, começasse a curtir o mar, o luar, e a pessoa doidinha do seu lado com seus beijos molhados e, devido às circunstâncias, salgados também.

Ficaríamos lá um bom tempo, nadando, conversando, beijando ou simplesmente parados olhando para a lua, até que você, sempre prudente, percebesse que meus braços estavam arrepiados, e meus lábios, tremendo um pouquinho. Assim sairiam os dois, molhados e com frio pela areia, até poder encontrar, talvez, o conforto de um chuveiro quente e uma cama em algum lugar...


Toda essa minha imaginação hiperativa é fruto, justamente, de ontem à noite. Veja bem, depois de meu post "respondão", fomos eu e a mamãe caminhar na praia, e acabamos entrando no mar também - o Gus e o papai, que tinham ido andar de caiaque, logo se juntaram a nós, e a Oma, depois da sessão de massagem dela, também não resistiu aquela água verde e convidativa, e entrou também.

Já eram sete da noite quando finalmente saímos e nos arrumamos, e eram quase nove quando saímos para jantar.

Depois, para "fazer a digestão", fomos dar uma caminhada pela praia... E daí os conteúdos de minha piração: a noite estava linda!

O céu estava limpo, e a lua que estava por uma metade (crescente, minguante... nem sei, na verdade) refletia no mar, fazendo com que aquela imensidão escura se tingisse de prata, uma luz que parecia dançar com as ondas... Nhaw, enfim, lindo de mais. A água estava realmente morna, e eu só não entrei porque fiquei com preguiça de tomar MAIS um banho depois... (e além de mais, eu não tinha o incentivo de ter meu namorado lindo e fofo do meu lado, então meio que perdia a graça).

Depois que fui dormir, fiquei pirando e pensando e imaginando como seria se você estivesse aqui... Dormi logo e sonhei com um monte de coisa - mas a imagem continua na minha mente...


Mas, mudando radicalmente de assunto, é curioso como estamos em praias totalmente diferentes: enquanto você está em uma praia com uma faixa enorme de areia, bem extensa, pouco "povoada" e com água quente, minha situação é exatamente o contrário: a faixa de areia é bem estreita, a praia é bem pequenininha, pela configuração geográfica curiosa, e está bem cheia agora, na temporada... Ah, sim, e a água é bem geladinha.

Não sei bem o que gostaria mais - gosto da água gelada e até da areia estreita, mas não sou lá muuuito fã de muita gente, nem de badalações - era legal quando vínhamos aqui em Outubro, quando só havia praticamente a gente na praia, e era até friozinho... Mas enfim. As pessoas só incomodam quando as criancinhas ficam berrando, ou o pessoal fica jogando frescobol em cima das nossas cabeças enquanto tentamos andar pela praia... Fora isso, a convivência é pacífica. E a parte boa de ter mais "agitos" na praia é andar, seja pela praia ou pelas ruas da cidadezinha, e observar a movimentação, as pessoas: as famílias, os pagodeiros, os agro-boys, as patricinhas, os aposentados, e até os crentes (o que suscitou uma enorme discussão filosófica entre eu e papai: o que os crentes fazem na praia? Eles usam biquíni também? Ou eles só saem a noite para caminhar na praia, e passam o dia em casa rezando?)

Mas enfim... O dia, levemente nublado, é o último que teremos inteiro nesse "primeiro round" de praia, e a Oma está me chamando para colocar o meu biquíni para aproveitar o sol da manhã... Até logo, então, meu amor ^^

Estou morrendo de saudade, meu lindo, mas não se preocupe, estou me divertindo por aqui.

Beijos e mais beijos e mais beijos e mais beijos...

sábado, 26 de dezembro de 2009

Puff. Mas a senhorita viu... vou te contar...

Nhá, só me lamuriando de que agora que encontrei um acesso à internet fácil e flexível (minha madrinha tem um laptop aqui e meu tio-avô emprestou o modemzinho do celular), a bolota do computador não tem uma versão "usável" do Messenger. Oh! Céus! Oh! Vida!

Te amo um tantão amor. Quando fico sentado na areia ouvindo o barulho do mar misturado com a brisa só consigo ficar pensando em você e em como eu gostaria de estar contigo o tempo todo. Nhá.

Esses próximos dias, antes do ano novo, eu devo passar um dia em Salvador (êba! ar-condicionado no Shopping!). Enfim, se tem alguma coisa que a srta., ou qualquer dos seus familiares queiram daqui da Bahia, agora é a hora certa de me deixar informado, ok?

Essa postagem do dia em Salvador deve ser interessante. Talvez eu vá ao zoológico daqui, que é a coisa mais linda do mundo, e, como minha tia trabalha nele, talvez eu tire uma ou outra foto com um ou outro bicho. Mas enfim, a possibilidade de isso acontecer não é lá muito grande, fica só a expectativa.

Ah, outra coisa, como se eu mandasse a carta hoje, ela não conseguiria te alcançar no hotel, me passe o endereço (com CEP, bonitinho) do sítio da sua avó, acho que a carta consegue de alcançar lá, não consegue?

Aiai, tô enrolando na postagem porque ficar aqui escrevendo pra você diminui a sensação de distância e de inacessibilidade, mas eu sei que é besteira...

Enfim, tenha uma ótima noite amor. Durma muito bem, sonhe desesperadamente com o dia 21 (penso nele todo dia), beijos, beijos e beijos. Te amo 24 horas por segunda.

Só para deixar bem claro, mocinho...

... que, pessoa introspectiva que sou, de vez em quando tenho essa de ficar sozinha, com ou sem saudade...

...que não é pra você parar de me ligar -eu realmente fiquei melhor com aquilo...

...que eu curto ao máximo a minha família quando estamos aqui - converso com o Gus, caminho com a mamãe, ajudo a Oma a ver os e-mails dela, e todas essas coisas - e não é por um momento de "I want to be alone" que vai colocar tudo a perder. Amor, eles são minha família, e me conhecem bem. Relaxa, tá?

...que agora, por exemplo, vou trocar de roupa pra ir pra praia uma segunda vez, porque sabe, existem pessoas que adoram o mar e não se importam taanto assim com a areia...

...hey, quer que eu transfira minhas queimaduras pra vc pra eu poder ir pra praia sem tantas preocupações, e pra você ter uma desculpa pra ficar em casa?

...que você é a coisa mais fofa do mundo, e é divertidíssima sua foto aí na praia (mimimi, só faltaram os meus cachinhos!)

...que eu te amo, Gil, muito muito muito!

E Deus disse: Fiat Nuber!

Antes de entrar no "mérito da questão", venho aqui expor minha preocupação (traduzindo: bronca) contigo amor. Não fique triste! Qualé Lis? A saudade é um saco. Mas isso não pode interferir no jeito como tratamos as outras pessoas. Lis, se tem uma coisa que eu realmente detesto nas férias é a total perda de privacidade. Sabe, é como se o Gilberto multifacetado aqui só pudesse usar uma das facetas, a do bom filho, neto, blablablá. É chato? Sim, chato pra caramba. Mas poxa amor. Lembre-se que em breve estaremos juntos de novo. Lembre-se que eu não deixei de pensar em você um só segundo. E lembre-se que, se eu ligar de novo e você ter essa reação, eu paro de ligar. Porque se não te fizer bem, não vale a pena.

Tente se prender à Luisa dos seus parentes, amor. Faça isso por mim. Esse tempo que você tem com eles é um tempo precioso demais para ser gasto com lamento. Sorria! Sempre que lembrar de mim. Sorria, pois é isso que me deixaria feliz, amor. Eu tô sempre aí contigo, Lis. Não esquece.

Enfim, falando do Gilberto multifacetado, ele pôde usar uma faceta diferente da que geralmente usa aqui em Salvador. Pude sorrir com o clima Lis! Sabe, ninguém aqui em Salvador nota o meu mau humor porque, digamos, estou sempre de mau humor por aqui. E, como bom Mendes que sou, meu mau humor não é quantificado. Não estou de "mais" ou "menos" mau humor, simplesmente estou mal-humorado.

Mas, hoje, acordei com motivos para sorrir. E esse motivo eram as nuvens no céu! Pouco antes de acordar tinha até mesmo chovido, veja só essa! Com as nuvens no céu, 8h da manhã, arrastei mamãe e minha irmã para a praia, para dar uma caminhadinha básica. Acabou que extraviaram a câmera da minha irmã, então não deu pra tirar fotos e tals.

Mas enfim, com algumas gotas de chuva nos ombros e uma boa caminhadinha de 45 min, voltei pra casa, onde a "jênia" da minha irmã acha a câmera e, num gesto de bondade, me empresta. Saio de casa e vou tirar umas fotos pra te mostrar.

Essas três fotos aqui mostram a praia que tem aqui pertinho da casa da vovó:


A primeira é da praia em si. Dá pra ver que não é muito limpa, e que também não é nenhuma daquelas super praias comerciais, cheias de barracas e cabanas e tals. Tem uma ou outra vendinha, laaaaaá no fundão tem uma igrejinha abandonada e só. Sem-graça a beça (lá em Ilhéus sim, vou te mostrar umas fotinhas mais ajeitadinhas). Dá pra ver também que não é nada superfrequentada (se bem que essa é uma foto de 9h da manhã). Tem muita gente que mora aqui na ilha mesmo (os autodenominados "nativos") que usa a praia. Tem muita gente também de Salvador, classe média bem medíocre mesmo, que nas férias aluga um quarto num dos sobrados que fica perto da praia.



Essa segunda foto mostra a visão que eu mais gosto quando venho a Salvador. Não, não é a camisa do Palmeiras que tem no "popular" da foto. É a vista de Salvador da Ilha. É uma das vistas mais bonitas que eu já vi, sem dúvidas. A natureza pela natureza é muito bonito, e etc etc. Mas vai comparar com a beleza de uma cidade que desafia, a um só tempo, mar e morro? (Sim, as nuvens no céu, que, a essa hora 15h30, já sumiram, me deixaram de tão bom humor que estou até elogiando SSA, vai entender?). Vai comparar com a beleza da vista da nossa Torre de TV, que mostra todo o "aviãozinho" do Lúcio Costa, além de todos os prédios malucos do comunista matusalém Niemeyer?

A terceira, e última, foto da praia é uma em que hesitei bastante em te mostrar. Simplesmente porque é uma foto que eu mesmo tirei (é, não tive a sorte de ter fotógrafos pra mim por aqui), que mostra o quanto eu suo aqui em Salvador, mesmo que na sombra, mesmo com a brisa da praia. Tem também os óculos, que sofrem pra caramba aqui, mas que dão menos trabalho do que as lentes de contato. E como eu não entro na praia mesmo, melhor ficar de óculos. Enfim, só vou postar essa foto mesmo pra te provar que pisei na areia da praia.


Mas, agora, vou mudar um pouquinho o assunto do post. Vou te mostrar duas fotos do lugar onde estou hospedado. É a casa de praia da vovó, um "chalezinho" que fica dentro de um condomínio. E, doce sabor da ironia, o nome do condomínio é... Pasárgada. Triste coincidência. Poderia muito bem colocar a foto do portal de entrada do condomínio, que é grandioso e bonitoso e tals, mas vou colocar uma foto que eu tirei que mostra muito melhor meu estado de espírito em relação ao lugar (sim, ó pessoas incautas adoradoras da deusa Praia, não gosto do sal, do mar e da areia, apenas de sua brisa, o que não é nem de perto suficiente).


Depois dessa foto eu coloco uma foto da casinha da vovó. É pequena, nem tão confortável, mas é minha casa quando venho aqui pro Nordeste. Tem o aconchego da família.

É, o que eu tinha de fotos pra te mostrar era só isso. Mas voltando à ironia do Pasárgada. Aqui não durmo na cama que eu quero. Aqui, definitivamente, não tenho a mulher que escolhi. Felicidade em Pasárgada é aquela de neto que vê avô, e não aquela felicidade completa, de quem está rodeado por todos que querem. A existência simplesmente não é uma aventura, é apenas um passar de dias contados, com a mesma ameaça de ser puxado para a praia, com a mesma ameça de meu avô inventar mais alguma coisa pra gente comer. Enfim, pode até ser que minha Pasárgada aqui fosse boa o suficiente para o Bandeira. Mas, pra mim, ela é apenas um tipo de purgatório.

Da saudade, novamente...

Como você deve ter percebido, meu bem, eu estava um pouquinho emo quando você ligou... Mas o curioso é que não foi a sua ligação, apenas, que me deixou assim... Ontem, lá pelo final da tarde, estava com um humor meio melancólico...

Não sei se foi algum reflexo de passar muito tempo sempre na companhia de outros ( eu tenho essas piras de precisar ficar sozinha de vez em quando), ou se foi simplesmente o conhecimento do número de dias que ainda faltavam, mas o fato é que eu fiquei meio isolada de todos, no meu canto, mais quietinha, enquanto sentia a saudade me corroer por dentro, como sempre acontece quando dou um espaço maior nos meus pensamentos para ela se desenvolver.

Depois de um jantar meio quieto da minha parte (até o pessoal já estava meio preocupado, me perguntando o tempo todo o que tinha acontecido, se eu estava doente, se eu estava triste, etc), fui para o quarto antes de todos, já que eles queriam dar uma andadinha na praia... Para me deparar com o telefone tocando.

Eu realmente não sei se a sua ligação ajudou ou piorou a saudade - por um lado, foi tão bom, mas tão bom ouvir a sua voz... Mas por outro, me deu um gostinho do que eu não tinha, nem vou ter por mais vários longos dias... O fato é que eu estava chorando um monte enquanto falava com você, até que eu tive que parar tudo quando a Oma chegou. Afinal, não quero que o pessoal fique se preocupando...

Depois de (com certa dificuldade, admito) me despedir, disse que "ia dormir direto, sem ler", para poder chorar quietinha do meu lado da cama - mas a Oma, em sua sabedoria que os anos trazem, parecia saber bem o que estava acontecendo, embora não interferisse.

Um tempo depois, enquanto ainda me debatia na cama, sem conseguir dormir, ela me puxou para o lado dela, e disse "Luisinha, ele disse alguma coisa ruim para você?"

Prontamente respondi que não, ao que ela apenas me abraçou. "Sabe, querida, eu sei bem como é sentir saudade..."

De repente, eu entendi - mas é claro que a Oma sabe o que é saudade, e melhor do que ninguém... Seu companheiro de quase 50 anos (fariam 50 anos no ano passado, se não me engano) faleceu há quase 8 anos, e essa é uma saudade sem a promessa de um reencontro em vida, um amargo sem o doce no final...

No final das contas, quem sou eu para falar de saudade?

Mesmo assim, ela me consolou, fez carinho nas minhas costas até eu pegar no sono de novo, sem falar, apenas com certa solidariedade e sua presença reconfortante... Assim, dormi.

Tive sonhos agitados - embora não lembre de nenhum deles agora - e a Oma diz que eu dormi meio mal, revirando-me na cama o tempo todo, mas, quando acordei, estava bem de novo - aquela tristeza paralizante superada, transformada naquela sensação "bittersweet", aquela presença constante pesando sempre em meu coração, mas sem dominar meu corpo ou minha mente...

Ainda sinto muito a sua falta, ainda penso em você o dia todo - mas pelo menos agora estou em paz, muito mais perto de estar feliz do que estava ontem...

É, sempre há ainda o que aprender com a voz dos mais experientes, principalmente nesses assuntos que transcendem todos os livros e ciências do mundo, imortais e misteriosos, como os fortes sentimentos humanos...

O mar, o(s) livro(s) e mais um dia de fazer nada...















Com um monte de creme pós-sol no corpo e um monte de frutos do mar na barriga (exceto camarão, que, como não gosta da minha barriga, tem a irritante mania de instigar rebeliões e levar tudo o que eu comi para fora, mas enfim), aqui estou eu novamente, sentada na varanda do quarto, com aquele calor meio abafado perpassado por uma leve brisa, acima o céu tão azul, ao lado o mar tão verde, e à minha frente os pirralhinhos brincando até que civilizadamente na piscina...

O que ontem eu tinha de atormentada, hoje eu tenho de pacífica - não sei por que, depois de ler o seu post ontem eu fiquei num estado melancólico, dormindo muito, sem vontade de comer nem falar, só curtindo a saudade e me agoniando com a quantidade de dias pela frente... Mas disso eu falo em outro post. Agora, quero só falar de praia, de mar, e dos livrinhos interessantes que eu ando lendo...


Ontem o mar estava mais revolto, a correnteza mais forte nos puxando e empurrando como bonequinhos de pano. Quando entrávamos no mar, precisávamos ficar sempre atentos às nossas cadeiras, para poder ter uma mínima noção de onde tinha sido nosso "ponto de partida" - pois, cinco minutos depois de entrarmos na água, mesmo que estivéssemos aparentemente parados, nos deslocávamos para a direita... Enfim, você sabe como é, não?



Como o dia estava claro, sem nuvens, resolvemos pegar os snorkels e ir até a ponta da praia (eu já te expliquei mais ou menos a configuração, né?), onde tinham umas pedras e um monte de peixinhos. A água estava meio mexida com a correnteza, mas mesmo assim deu para ver muita coisa: alguns adoráveis peixinhos coloridos, com listrar azuis e amarelas, peixes brancos com uma pinta preta perto do rabo, com um ar formal que lembrava quase gravatas, peixes pretinhos e ágeis, e até um baiacu (embora em sua forma desinchada). De todos, porém, o ser mais curioso de longe era uma menina histérica no colo do namorado, (sei lá se tinha medo de peixes, ou qualquer coisa do tipo), que ficava berrando tanto que eu conseguia ouvir até de debaixo d'água. Quando me levantei e fui falar com meu pai e meu irmão, logo soltei um "quem é que tava gritando tanto?" em alto e bom som - apenas para, é claro, ser avisada de que a criatura em questão estava exatamente atrás de mim. Pff, tomara que tenha ouvido! Aliás, se era para ela ouvir, deveria ter sido menos branda, ter dito algo mais para "quem é a retardada histérica que fica berrando desse jeito?". Mas enfim.


O que me irrita nisso não é a frescurite em si, mas sim que eu estou lá para sair do mundo normal e entrar na paisagem extraterrestre que é o mar, sem ouvir direito, sem a possibilidade de falar, apenas com a visão e o tato para observar e (tentar) pegar um mundo tão diferente do meu, para deixar meus pensamentos vagarem enquanto estou imersa em um mundo tão diferente... E ter essa sensação quebrada pelas frescuras de uma menina com medo de peixes é lastimável. ( se os peixes malvados vão te comer, filha, por que então quis vir pra praia que mais tem peixes na região? Mistério, mistério...)
Mas enfim. Fora nossa tentativa de snorkeling, só há de diferente na "experiência praística" a presença de uma bola inflável, divertidíssima de jogar, ainda mais quando o Luiz Gustavo se empolgava e quase caía em cima das pessoas inadvertidamente tomando sol na beira da praia... Jogar bola dentro do mar era igualmente divertido (e perigoso para as pobres cabecinhas inocentes de outros banhistas), mas o melhor mesmo era tentar boiar em cima da bola... Mas enfim, não deve haver grande interesse, para você, nas possibilidades de uma bola inflável de plástico na praia, não?
Quando chegou a hora do almoço, tomei um banho e dormi um bom tanto, e só depois é que foi bater aquela melancolia da qual falei... Mas, como eu disse, isso é assunto para outro post.
O dia de hoje estava um tanto quanto diferente do outro - além de nossa resolução de ir para a praia mais cedo hoje, o mar estava uma verdadeira piscininha, de tão calmo, e não há nenhuma nuvem no céu. Fui para a praia, com papai e LG, lá por umas 9 da manhã, quando o calor estava no começo, e ficamos um bom tempo na água, nadando, conversando ou só curtindo os movimentos, agora leves, daquela imensidão de água, pulsante como se fosse viva.
Quando não estava nadando ou repassando meu filtro solar, estava sentada na sombra, lendo. Terminei o "Mulheres - filosofia ou coisas do gênero", e comecei a ler o "Homos juridicos - ensaios sobre a função antropológica do direito".
De textos feministas a pirações a respeito da função do direito, a necessidade da dogmática em todas as áreas do conhecimento e as crenças que permeiam até a mais exata das ciências, e outras piras sobre a civilização ocidental e a individualidade... Enfim, só leiturinhas leves na praia, é claro.
Mas pior do que ler coisas assim na praia, é ler coisas assim de forma concentrada, e ainda ficar tão empolgada com a leitura que começa a falar as idéias básicas para os familiares, discutí-las enquanto nada no mar, e apaixonar-se pela coisa toda. É, eu realmente escolhi o curso certo. Falando em curso, aliás, ontem eu fiquei sabendo das notas de PJ... E sim, independente de eu ter tirado MS no maldito fichamento grande e não ter feito alguns dos fichamentos pequenos, eu fiquei com um SS... É, coisas de ABC. Mas bem, quem sou eu para reclamar?
Das minhas notas, então, ficou tudo SS até onde eu sei (quer dizer, falta a de filosofia, que é uma enorme incógnita para mim). De uma forma ou de outra, já estou mais do que contente com os meus resultados ^^
Enfim, depois de algumas repetições desse ciclo nadar-passar filtro solar-ler, fomos todos para um restaurante gostoso aqui perto, a "Casa da Lagosta", comer o que sempre comemos quando vamos lá: uma caldeirada de frutos do mar, cujo acompanhamento mais querido é uma farofa com azeite de dendê. Muitos peixes e lulas e mariscos depois, cá estou eu, saciada e com aquele leeve soninho depois do almoço, escrevendo para você na varanda (esperando pelo seu post gigante com as fotos também, certo?)
Por agora, fora a saudade, a única coisa que me preocupa um pouco são as minhas queimaduras de sol: tento passar o máximo de filtro solar o possível, expô-las ao mínimo de sol o possível - mas, com licença, enquanto não estiver em estado de calamidade, não vou deixar de curtir o mar enquanto não estiver com queimaduras de segundo grau. Claro, sempre tem os macetes de entrar no mar com camiseta e tudo, e pra mim, essa parte estética é o que menos importa quando vou pra praia - afinal, a única pessoa que me chama de linda está um tanto quanto longe, e eu não quero saber de ficar bonita para mais ninguém...
Por agora, meu amor, digo apenas que sinto uma enorme saudade de você, e continuo imaginando o tempo todo como seria se você estivesse aqui, como você reagiria às coisas, o que faríamos juntos, e outros mil pequenos detalhes da sua presença que fazem tudo valer a pena... E talvez, no fim das contas, seja isso o que me faz estar calma agora, o que me faz poder aproveitar tudo o que eu tenho aqui, mesmo sem a sua presença: vale a pena esperar, meu bem. Por você, toda a espera vale a pena. Então aguentarei os vinte e seis dias sem (muitas) complicações, tratarei de apreoveitar o máximo que eu posso aqui - porque eu sei que toda a saudade e a ausência valerá a pena quando eu puder ver o seu sorriso de novo, te abraçar de novo, te beijar, ouvir a sua voz sussurrando no meu ouvido...
Enfim, para finalizar, uma foto minha e do Gus com a pousada ao fundo: sim, o nome é "Vila do Farol", o que fica bem óbvio com a representação gigante do farol atrás. Não é lá das coisas mais esteticamente agradáveis, mas é um ótimo marco de orientação quando se está andando na praia...
Te amo, lindo, 24 horas por segundo!

Fotos da viagem

Então Lis, como prometido, vou começar a enfiar as fotos da viagem com breves comentários sobre elas. (sim, aconteceu a conjunção astral pc-máquina-cabo-internet!)

Foto 1: saída de casa.
Enfim, fotinha da casa da vizinha da frente, basicamente. Mas é bom notar que ainda está escuro de tão cedo que saímos. Isso porque no segundo dia de viagem saímos de Seabra ainda mais cedo, 5h (do horário de verão, 4h no horário daqui) já estávamos na estrada. Viajamos umas 2h no breu. E nem deu pra falar que vimos o nascer do Sol na estrada, porque o dia estava super nublado (no meio da Bahia, claro, afinal de contas, Seabra é "o centro geográfico da Bahia!")
Note-se também o mapa, que, a essa altura das nossas viagens Brasília-Salvador, já é praticamente inútil. Até os nossos atalhos e tals a gente já tem de cor. Nem se perder nas cidadezinhas esdrúxulas nos perdemos. Já sabemos em quais restaurantes almoçar (yes, Giraffas em Barreiras-BA, saudadezinhas de Brasília).

Foto 2: A tal das chapadas as que eu dei uma piradinha em cima da sua piradinha sobre montanhas. (Aliás, você fala de comentar um as entradas do outro, eu pelo menos cito as suas entradas aqui, nas suas nem dá pra perceber que você divide o blog comigo, mimimimimi, hehe). Enfim, essas chapadas nos acompanharam por uns bons três quartos da viagem.

Foto 3: Não me pergunte por que diabos eu inclui essa daqui no "álbum" de agora. É só que... sei lá, eu meio que gosto de linhas de transmissão. É meio que a visualização da vitória do homem sobre a natureza (muahahaha). Lembra papai, que trabalha dentro de um lugar esquisitoso desses também. Ah, acredita que eu contei com quantas subestações a gente cruzou na viagem? Enquanto estava acordado (e pelo tempo em que estive dormindo isso pode fazer uma diferença boa na contagem) foram 5. Cinco!! A da foto é a mais bonita.

Fotos 4 e 5: Essas daqui mostram o que eu considero um dos pontos altos da cidade. É quando passamos por cima do Velho Chico. Sim, o Rio São Francisco é "caminho" nosso. Esse ano até que ele tava cheinho. Há dois anos atrás teve uma seca daquelas, e o bichinho tava um filete d´água. Na segunda foto, a cidade que aparece é Ibotirama. Não reconhe o nome? Como eu realmente acho que não vai reconhecer, eu te lembro. Essa é a cidade do menino das agulhas lá. Enfim, até que tá famosinha a cidade.

Foto 6: Essa foto bem que poderia se chamar "menino idiota mexe com câmera da irmã sem paciência às 5h da manhã na estrada, saindo de Seabra, chegando em Itaberaba". Acho que deu pra entender né? Enfim, uma foto viagem da qual gostei. (Sim, pegamos um pouquinho de chuva sim, a sorte é que a estrada está boa em grande parte do percurso).

Foto 7: Essa daqui segue o estilo da última, mas foi o nosso nascer do Sol na estrada. Ele já tava meio alto, mas foi só nessa hora que ele saiu de trás das nuvens e tals. Gostei do efeito "wow" do Sol e tals. Fica a fotenha aí, amiguxa.

Foto 8: Essa daí já é mais pra frente, meio que no "sertão" da Bahia já. Quando vimos esse morro "dedão" bateu a vontade de tirar as fotos e tals. Acho que aí já estávamos no único trecho de estrada de terra (27km). Vacilei de não ter tirado fotos. A pista é uma porcaria porque ainda tem algumas pinguelinhas de asfalto que outrora tinha. Moral da história? 27km feitos em 35 minutos...

Foto 9, e derradeira (deste post, continuo mais tarde): Ponte sobre o mar! Essa daí é a entrada da Ilha de Itaparica. A ilha tem uns 46km de extensão, é toda espichadinha. Aí é a "entrada sul", fica a uns 300km de Salvador. A "entrada norte" é feita por Ferry Boat,as balsas loconas lá. Enfim, acho que, da viagem, são essas as fotos. Num posto próximo (sim, tem um monte de gente aqui atrás da internet e eu estou empacando a vida deles) eu coloco as fotos da praia e tals, do lugar onde estou, e patati, patatá.

Então, that´s all Lis. Fica aqui o meu recado: ainda te amo. A saudade está perdendo (apesar de estar deixando alguns doídos...)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

32+15

Bom ler seus dois últimos posts. E, principalmente, esquisitíssimo ouvir sobre sua ceia de Natal. Bastante diferente mesmo.

Por aqui foi aquela ceia de família grande mesmo, preparada sem grandes preparativos. Deveria ter umas 6 "subfamílias" aqui e cada uma ficou incumbida de trazer um ou dois pratos de comida. Enfim, discursos natalinos, inclusive um de "desculpe-me se enchi o saco de todo mundo com minhas manias o ano inteiro" por parte da anfitriã. Também teve a comilança, que, apesar de estar gostoso, não esteve nem próximo das minhas melhores ceias natalinas.

Enfim, me desculpo novamente pela falta da fotos. Mas é que por aqui está realmente complicado conseguir um computador que seja. E quando consigo um computador, não tenho a máquina. E quando tenho o computador e a máquina, esqueço o cabo USB em algum lugar sem alcance. Coisas de pessoa burra mesmo. Mas enfim, um dia você vai ver as fotos dessa viagem (e vai perceber que são extremamente parecidas com qualquer foto de viagem que eu faço).

Ahá, ainda não conseguiram me arrastar pra praia, acredita? Ainda não pisei o pé na areia (da praia, porque aqui onde eu estou areia é o que não falta em lugar algum). Embora não esteja indo a praia, estou no litoral baiano, então, conseqüência lógica: já estou com o rosto levemente avermelhado. Sim, porque 15 minutos no Sol já é o suficiente para ter leves queimaduras que vão te enchar o saco por um bom tempo.

Ah, meu dia 25? É meio que uma continuação da ceia de Natal, já que há um almoço tradicional aqui, que ocorre todo ano, por causa do aniversário de uma das minhas tias-avó. Essa tia-avó foi a primeira da família a ir a Brasília, então devo a ela ter existido, pois foi com ela que meu pai ficou quando veio "de castigo" pra Brasília (veio, puff, vontade besta de estar em casa...). Esse almoço sim é coisa grande, de proporções ainda maiores que a noite de Natal. Mais discursinhos falando sobre como tia Isabel é importante, e presentes e blablablá, atacamos o almoço: uma senhora feijoada. Enfim, não comi muito, já que, como você já sabe, não sou muito fã de carne, ainda mais feijoada, que leva todos aqueles pedaços "esquisitos" do porquinho.

É, minhas férias continuam não muito diferentes do que já estavam antes. Sol inescrupuloso me torrando a cuca (se bem que hoje as nuvens deram uma ajudinha). Suadeira desgraçada, é o dia inteiro assim. Nem ler estou lendo direito, já que sempre tem algum parente mais velho pedindo atenção, principalmente meu avô pedindo para jogar buraco (essa sim, sempre, a grande distração das férias).

Tenho também que admitir que não compartilho contigo a vontade de te ter por aqui. Eu realmente não gosto de que as pessoas me vejam em uma situação da qual não gosto. Pior ainda, não gosto de dividir essa situação com mais alguém. Mas a vontade que tenho, e que está me torturando o tempo inteiro, é a de estar junto a ti Lis. Todo o tempo. Quando eu paro e me lembro do seu rostinho, os olhos marejam. Ontem na ceia, tive até um momentinho meio emo, de ir prum canto e ensaiar chorar. Enfim, não deu muito certo, tinha que voltar pra ceia e etcetcetc.

O título do post é pra mostrar um erro frequentíssimo de quando venho entrar no blog. Eu quase sempre digito 32+15. É uma coisa subconsciente (ou consciente até demais) que tenta diminuir os dias que passo longe de você e fazem aumentar os dias ao teu lado.

Aiai Lis, essa sua "ameaça" de olhares na praia... Você não precisava colocar isso sabia? Eu SEI que vão olhar pra você, e sei que é questão de tempo até alguém... te abordar, digamos assim. Confio em você amor, eu não confio é nos outros. Por aqui, nem piso na praia, então nem tenho contato com "pessoas do mundo externo". Além disso, tenho um primo de pentelhésimo grau aqui que tem um corpo lindo, todo esculpido e tals. E ele é meio loiro, com barba mal feita e tals. Lindo de morrer, daqueles que você empalharia e colocaria no seu quarto. Então pode ter certeza, não tem absolutamente ninguém olhando pra mim.

Hoje é 25, então, 31 pra cá, 4 pra lá, ainda são 27 (longos) dias. Isso vai ser torturante, ainda mais sabendo que desses 27, 18 dias ainda são em solo baiano. Ah, como eu odeio essa terra Lis. A única coisa boa que tem aqui são as águas quentinhas no mar (lembrando que eu não gosto deste, não fica uma visão muito boa né?)

Gostaria que você me perdoasse a falta de ligações. É que o "jênio" aqui esqueceu o carregador do celular. Então, uma vez apagado, ele não vai levantar tão cedo. E meu pai tá numa pirraça pra não me emprestar o dele... isso sem contar quando ele não tranca o celular no carro e some com a chave.

Aiai. Aiaiaiaiai. Sinto muito sua falta Lis. Seu abraço. Seus olhos me cortando. Seus olhos me abraçando. Enfim. Pessoas fazendo barulho aqui, e querendo ver o que que eu estou fazendo. Termino as despedidas aqui.

Te amo Lis. Não esquece. Não duvide. Espero que a recíproca seja verdadeira. Saudades do tamamho do mar de Salvador...

Saudade, ah, a saudade...




De tantos dias para escrever sobre a saudade, por que hoje? Para falar de uma dor constante assim, qualquer dia serviria – mas hoje, em especial, senti sua falta com especial intensidade.









Talvez tenha sido porque hoje vi algumas paisagens bonitas – e uma das partes mais amargas da ausência é ver algo belo e quase que automaticamente olhar para o lado “olha, Gil, que lindo...” mas você não está lá.










Assim, agarrada com a câmera como se fosse um salva-vidas, tiro fotos de tudo o que vejo, como se através das lentes da câmera e do ângulo de meus olhos, você pudesse estar por aqui também, nem que fosse por um instante fugaz que seja. Imagino a cada foto como seus olhos a veriam, o que comentaria, o que calaria, e o que simplesmente me abraçaria... Por isso, talvez, que eu tire tantas fotos nessas férias.






Depois é que, pelo fato de a ceia de Natal ser mais longa, tive um tempo de pensar – tempo de ver várias famílias juntas, de ver casais de namorados na praia, ou até mesmo de ver alguns caras me encarando enquanto andava pela praia – puxa, Gil, por que você não está aqui? Fiz uma ou outra poesia na minha cabeça, fechei os olhos e desejei com toda a força que estivesses aqui, mas sei que não adianta – por mais que conte e conte os dias, eles ainda passam bastante de vinte. A consciência que vou passar um tempo aqui, ir para o Sítio, voltar para Curitiba e voltar para Bombinhas antes que você chegue me é um tanto quanto sofrida, e o tempo, aquele malvado, se arrasta cruelmente, emendando uma série de dias cheio de belezas e divertimentos, mas que se tornam meras distrações a cada vez que penso: “...mas ele não está aqui.”


As coisas não perdem seu sentido – a água continua deliciosa, a paisagem continua bela e os livros continuam interessantes – mas tudo empalidece diante da mera lembrança dos seus olhos, e da lembrança da infinidade de quilômetros que nos separa.






Puxa, meu amor, o que eu não daria para ouvir a sua voz de novo...





Mas de saudade em saudade passam-se os dias, e meu consolo é que, cada vez que vou dormir, estou algumas horas mais perto do tão esperado momento em que terei meu amado em meus braços novamente.

Mais praia, hidratante pós-sol e, ah é, Natal...


Venho por meio desta contar minha tarde do dia 24 de Dezembro de 2009, depois que deixei-o para almoçar... Ou melhor, escrevo às dez e meia da noite, quando a internet aqui não funciona mais, para que possa postar uma vez que essa malvada voltar.


Esse post, na verdade, tem uma função mais específica, instrumental: contar minha tarde e mostrar o montão de fotos que eu tirei – dessa vez, a saudade é tanta que vou deixar para uma entrada separada...


Depois do almoço, com o momento-preguiça, fui ler um pouco enquanto a Oma tirava um cochilo. A certa altura da leitura, virei um pouco para o lado para descansar os olhos... e acordei uma hora depois, com o telefone tocando.



Fomos eu, mamãe e Oma comprar umas coisinhas na farmácia e, quando voltei e fui me arrumar para ir para a piscina coberta, para minha surpresa, as nuvens tinham se dispersado e estava sol! Animada, puxei o Luiz Gustavo para caminhar na praia comigo, (depois, é claro, de passar um filtrozinho solar.









Aliás, falando em filtro solar, lembra quando eu disse que não tinha me queimado? Ooops... Bem, pelo menos a previsão de tempo para amanhã é de chuva, e eu estou aqui passando toneladas de hidratante para acalmar a minha pele... Mas eu não sei como eu fiz isso, já que passei filtro e tudo... Nhaw, devo ter ficado tempo de mais na água.





Enfim, depois de descobrir meus queimadinhos e enche-los de filtro solar, fui andar com o Luiz Gustavo (já eram quase 5 da tarde) pela praia toda, conversando, e aproveitamos para ir bem para a pontinha de uma, com direito a andar por algumas rochas e escalar pedras. O sol estava gostoso, não tão forte, e a cor do mar... Que coisa mais linda. Sentamos os dois em cima de umas pedras e ficamos lá, “morgando” (palavras de Luiz Gustavo) por um tempo, até que começou a ficar meio tarde, e nós voltamos.









Depois de um rápido pulo na piscina, fui me arrumar para a ceia de Natal (o que incluía algumas toneladas de hidratante nas queimaduras, um pouco de lápis no olho e um vestido que te deixaria um tanto quanto rosado por causa do decote...



O mais curioso é que, até esse momento, não tinha a percepção de que já é Natal: parece até que não faz muito sentido sem todos os preparativos, as velas, passar um tempo na cozinha preparando as coisas... Este ano, estive tão distanciada de tudo isso que não houve propriamente um “animus nataliandi”... Só sentamos na mesa, conversamos e rimos bastante das roupas e penteados e saltos curiosos de algumas pessoas, comemos um monte de comida gostosa e tiramos algumas fotos. Sem muita cerimônia, (e, issa, sem aquela hipocrisia toda), mas sem, bem... Sem um Natal em si.



Se for eu um dia a chefe de família, quero voltar um pouquinho às origens – ora, se é um feriado religioso, vamos pelo menos orar uma vez, ou lembrar-nos de porque estarmos nos entupindo de comida gostosa naquele dia. Lá no Sítio, nós sempre montamos um presépio (um bem antigo, que mamãe já usava quando era pequena), e tiramos cada figura da caixa, com cuidado, para lembrarmos do que era e do que (a princípio) representa o Natal.


Porém, sem um molde de significado superficial nos jogado goela abaixo, foi um Natal bem leve – terminamos de comer e fomos para a varanda, abrir o presente. Ganhei a segunda parte do Fausto da Oma, e peguei umas fitas pretas de pacote de presentes para poder usar no meu cabelo futuramente.


Depois de mais um tempo conversando, tirando fotos e rindo, alguns foram caminhar, outros dormir – e cá estou eu, escrevendo para meu lindo que está longe, mas sempre presente em meus pensamentos.



Feliz Natal, Gil, e espero que esteja aproveitando suas férias por aí ^^

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Enfim, Bahia!

Aiaiai, mil perdões pela demora em fazer contato amor, mas as coisas foram realmente complicadas nesse sentido durante a viagem. O post comentando ele direitinho vai ser feito em breve, mas, provavelmente não agora.

Mas, enfim, cheguei. Estou na quase familiar (passei um bom tempinho das minhas férias do ano passado aqui) LAN House de perto do condominiozinho onde fica a casa de praia aqui dos meus avós e tals. Não é lá um lugar muito confortável, em breve te mostro as fotos.

Fotos as quais esse post, infelizmente, não vai ter. Problemas técnicos (=minha irmâ decidiu sequestrar a câmera só pra ela... tá, a câmera é dela, eu sei, mas enfim...). Tem outro probleminha também. Achei que ia tirar muito mais fotos do que eu tirei. Mas encontrei um problema de ordem natural. O caminho é todo muito parecido! Caramba, andando mais de 1500 km só dá pra distinguir três tipos de paisagem: aquele cerradão mesmo, o interior da Bahia, aquela Catinga-wanna-be, e a vegetação da Zona da Mata mesmo, já bem pertinho do litoral. O resto muito parecido.

Mas dá pra fazer um pequeno comentário sobre um dos seus posts anteriores. Iria fazê-lo num post em separado, mas vou aproveitar pra fazer essa mini-piração aqui. Depois eu faço uma mini-piração anexa com as fotos.

Enquanto você fala da diferença entre montanhas e planícies, me deparo pelo caminha não com a sua querida Serra do Mar, mas sim com uma seqüência quase que infindável de chapadas. E a conclusão que tiro é que as onipresentes chapadas do caminho são meio que uma mistura das planícies e montanhas, não? Tem-se o desafio da escalada, da subida a uma altura realmente impressionante. Mas, no fim da subida, observa-se aquele nivelamento característico de planícies. Tudo bem que não é um nivelamente que se estende até o horizonte, é um nivelamento finito, que acaba numa queda meio que abrupta e assustadora. É como se achar entre iguais num "plano elevado". Enfim, nada muito filosófico, mas achei que dava sim para comparar. São lindas as chapadas Lis. Um dia eu creio que você ainda me convence a viajar contigo pra Chapada dos Veadeiros, um pouco mais ao norte do DF, no Goiás. Você vai ver como aquele lugar é bonito, com aquele verde-que-ensaia-ser-amarelo, com aquelas árvores angulosas, que chegam a descer de volta ao solo depois de achar que já foram suficientemente alto em direção ao céu. Enfim, outra viagem, outro post, outra piração.

Você me falando de praia com vento frio me dá uma inveja sem tamanho. Estou num lugar que parece que foi escolhido por Deus pra testar um forno sem paredes. Acho que dá pra chutar 35°C durante metade do dia tranqüilo. Se não for isso, parece. Sério, o cochilo de depois de almoço foi num chão de cerâmica que tinha acabado de ser lavado. Ainda assim tava meio quente! Mas foi a única forma que achei de dormir "com certo conforto" (sim, acha-se conforto até no chão!).

Outro assunto. Fofocas! Aqui em Salvador são terríveis. Já tá praticamente todo mundo sabendo que eu estou namorando. Não que eu estivesse escondendo. Mas, caramba, eu sou parente meio que afastado, em outra cidade, porque que as pessoas têm esse interesse estúpido na vida dos outros hein? Enfim, sabe aquela tia afastada, que quando vocês se vêem só conseguem jogar baralho mesmo? Então, até ela veio falar do namoro e tals. Mas Lis, não tema, nenhum juízo de valor foi emitido ainda e mamãe é só elogios a você.

É, acho que o propósito do post foi cumprido: mandar notícias minhas e tals. Como já disse lá em cima, as fotos vem depois. Ah, fiz uma graça no google maps. Você quer saber onde estou? Estou mais ou menos por aqui:

Ah, tenho outro propósito agora. A srta. poderia, por favor, colocar o nome da pousada em que você está em Bombinhas? Além disso, tem como você colocar nesse blog, um lugar que vai ficar quieto por algum tempo, o seu endereço de Curitiba? Preciso saber pra onde o táxi vai caso você me abandone no aeroporto...

Tendo todos os motivos de ordem (mais ou menos) práticas esclarecidos, vou agora aos de ordem sentimental. Não dá mais pra colocar em palavras as saudades que sinto de você, minha loirinha. Simplesmente desisti. Me contento com o sentimento e com a esperança de te ver em breve. Bollocks, vou ter de interromper a declaração porque meu tempo na LAN tá acabando... Te amo Lis. Dum jeito que eu acho que você sabe exatamente como é. Fico olhando nossa foto o tempo todo. Você está aqui amor, na minha cabeça, o tempo todo. Um superduper abraço e até mais!

Praia!

Então aqui estou eu, já levemente bronzeada (mas não queimada: viva o filtro solar fator 30!), de shortinho e regata, tendo tirado o biquini depois de passar uma água no corpo, e com aquela sensação gostosa, mistura de cansaço e satisfação, que tenho sempre que passo um tempo na água. No momento, estou sentada na varandinha da pousada (viva o wireless que finalmente resolveu funcionar!), onde vamos comer um lanchinho mais leve, já que o jantar de natal está incluso na diária do hotel, e pelo jeito vai ter montes de comida hoje...


Nosso primeiro dia na praia, para a ala alemã da família, foi perfeita: céu nublado, meio chovendinho, mas com o sol espiando por entre as nuvens ocasionalmente, e um ventinho friozinho, gostoso, afastando o calor abafado que geralmente acompanha o verão na praia, seja aonde for. Nossa "caminhada matinal" não aconteceu por causa da chuva mais forte de manhãzinha (er, convenhamos, uma maravilha para quem queria dormir mais uns cinco minutinhos...)






Depois de um café da manhã cheio de docinhos gostosos, nos arrumamos rapidamente e fomos para a praia. Passei minhas toneladas de filtro solar, dei uma caminhada lenta e tranquila, acompanhando o ritmo da Oma e, enquanto esperava o filtro secar, pegava meu livro, ocasionalmente lendo alto para a mamãe e a Oma algum trecho que achasse interessante. Estou terminando de ler aquela coletânea de textos "Mulher - filosofias ou coisas do gênero", e aproveitava para tomar um não-sol, sentada na espreguiçadeira. Quando não estava lendo, conversava com a Oma - altos assuntos, desde fofocas de família até outros assuntos que só ouso falar para você pessoalmente - disso tudo, só sei que a Oma não cessa de me surpreender. Assim que julguei que o filtro estivesse seco, corri para a água, em uma descida gelada e quase torturante até que, com as "marolinhas" batendo em meus ombros, me acostumasse com a temperatura. Lá, continua o padrão: nadar, mergulhar, conversar, enfim, passar o tempo enquanto o mar nos puxa e empurra suavemente, às vezes para o lado, às vezes para trás.






Quando cansei da água, voltei para minha espreguiçadeira para ler mais um pouquinho -dessa vez em silêncio, apenas escutando o barulho do mar - e nas proximidades do meio-dia, resolvemos comer alguma coisinha de almoço. Então aqui estou eu, no começo de um tempo cheio de mar, preguiça e leituras, curtindo o fato do sol escaldante também ter tirado férias...






...e morrendo um pouquinho por dentro de tanta saudade. Estou me divertindo, sem dúvida - mas a cada momento a saudade está lá, no fundo da minha mente, apenas esperando um momento de distração para aflorar com toda sua força devastadora, me fazendo contar semanas, dias, minutos para te ver novamente, imaginando mil vezes o que faríamos se estivesse aqui, chorando um pouquinho por dentro por não ver nem sua escrita por tanto tempo... Cadê você, meu lindo? Espero realmente que esteja bem, essa falta de comunicação é tortura para mim!






Quando as coisas estiverem mais quietas, escrevo um post só sobre as minhas pirações em cima de saudade, ou um outro sobre Bombinhas em si, ou ainda outro sobre as músicas que ouço e me lembram de você, ou ainda outro sobre as mil outras coisinhas que penso e que queria compartilhar, aquelas que preenchem minhas falas sobre tudo e mais um pouco quando estamos juntos...






O que mais queria agora é que você estivesse por aqui, lendo do meu lado na areia, sendo arrastado (muito à contragosto, pelo que vejo) para a água, ou simplesmente descansando em algum canto, ouvindo o barulho do mar...






Mas o que podemos fazer? O tempo, esse dissimulado, parece que trabalha ao nosso favor, mas às vezes tem suas manhas, arrastando-se. Mas o que posso fazer? Esperar, tentar me divertir por aqui, e pensar em você a cada segundo de meu dia para suprir a enorme falta que sua presença faz ao meu lado...






Realmente espero que você possa se manifestar por aqui logo, me contar de sua longa viagem, me mostrar algumas fotos suas... Enfim, amor, sinto falta de tudo em você.






Milhões e milhões de beijos, mesmo`que à distância...
PS: Consegui carregar as fotos de Joinville, e merecem alguma explicação: Primeiro, essa é a vista da varanda da Oma, onde podemos ver bem claramente a influência alemã na cidade, com os telhadinhos lá, e as onipresentes montanhas que aninham a cidade. No centro da foto, podemos ver a torre de uma igreja... Mais especificamente, a Igreja da Paz, a igreja luterana onde meus pais se casaram ^^
Na segunda foto, a vista da janela da cozinha da Oma, e de novo minha pequena fixação com as montanhas, a Serra do Mar, em suas diferentes camadas que podemos entrever na névoa...
Já aqui é o apartamento da Oma em Joinville, que talvez você veja quando vier para cá: as constantes flores, os móveis antigos no canto... E, claro mamãe e Oma no fundo, ocupadas com os preparativos de antes da viagem.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

De Curitiba a Joinville temos montanhas.

Depois de nossa mini-despedida ontem no msn (sim, foi como que uma segunda despedida para mim... Nada de boa vida com a possibilidade de falar no MSN todos os dias, nem mesmo o telefone, agora descobri, porque o seu está habilitado para não receber chamadas "a cobrar", e é cobrado de você quando você está fora de Brasília... Mas enfim, não foi para meus pequenos choramingos que vim aqui.

O fato é que o ônibus que levaria a mim, à mamãe e ao Gus para Joinville saía às 9 horas, o que vez com que, mesmo que eu fosse dormir lá pela 1 da manhã, eu precisasse (oh, o horror!) acordar cedo. Não pudemos ir de carro para lá porque o papai precisava trabalhar até de tarde e viria depois, etnão pegamos um ônibus até Joinville, lá pegamos a Oma e fomos, enfim, para Bombinhas. Com o itinerário esclarecido, lá vamos nós para a piração nossa de cada dia...

Depois de acordar cambaleante e absurdamente cedo, fomos até a rodoviária, onde caí no sono logo que sentei no ônibus. Tínhamos conseguido comprar as últimas passagens daquele ônibus, então era lá no fundão e cada um estava sentado em uma "fila" diferente, todos no corredor. Para minha sorte, estava sentada do lado de uma moça que ficou quetinha, na dela - Gus sentou do lado de um cara que roncou durante metade da viagem e, segundo ele, desconhecia o que era um produto revolucionário chamado "desodorante". Já a mamãe sentou do lado de um rapaz jovem lá, e depois disse que eu tive sorte de não sentar lá, já que ele estava (sic) meio saliente e espaçoso. Geez, cada uma, viu...

Mas enfim, como eu dormi deliciosamente ouvindo a trilha sonora do Glee que eu tinha baixado ontem, mal percebi as horas que passavam... Até que abri os olhos, e pela janela do ônibus, tinha uma vista linda: um lago cheíssimo, quase transbordando para cima de uma série de montanhas cobertas de árvores, uma floresta densa e verde-escura. Uma ou outra casinha simples de madeira figurava nas margens, e fora isso, apenas a água e as árvores...

Antes que pudesses sequer pensar em pegar minha câmera em minha mochila, que estava guardada em cima do assento, a cena já tinha passado.

Estávamos perto da serra, começando a descida, e interrompi minha soneca um pouco para ver as montanhas. É realmente uma pena que minha mochila estivesse meio longe - seriam fotos belíssimas. Montanhas e mais montanhas nos cercavam, seus contornos lembrando patas e dorsos de enormes feras adormecidas cobertas pela floresta densa, de uma diversidade inimaginável que se fundia em uma enorme mancha multicolor escura e verde.

Não estamos aqui falando de montanhas enormes e pontudas exibindo sua rocha nua e agressiva das montanhas jovens, e sim de nossa boa e velha serra do mar, montanhas anciãs que já tiveram seus ângulos amaciados por milênios de ventos e chuvas, e já domadas pelos passos do homem que as enlaçam em estradas e as montam com suas casas, essas enormes bestas eternamente adormecidas que passivamente assistem à sua modificação pelas mãos de uma formiguinha insignificante...

Mas o homem parecia não ter tocado tão violentamente a área que eu conseguia ver, a floresta que ora tinha pinheiros, ora palmeiras, tão calmas e tão vivas em sua imponência, cada curva desconfortável do ônibus lembrando a todos que o homem não pode simplesmente marchar reto pelo mundo e passar por cima de tudo.

Acho belíssimas as paisagens dominadas por montanhas, com sua forma de aparecer da névoa, suas inúmeras camadas, suas formas curiosas e a perspectiva que elas nos dão: somos tão absurdamente pequenos!

As planícies de Brasília, tão assombrosamente vastas quanto as montanhas parecem tortuosas e altas, também dão um senso de "céus, como sou pequeno" ao homem, mas eu sinto uma diferença fundamental em relação às montanhas: as planícies sem fim, parecendo fazer até o céu se esticar para abraçá-las em um teto mais baixo do mundo, ao invés do sentimento de humildade perante a majestade das montanhas, traz aos olhos a compreensão das ilimitadas possibilidades do espírito humano: nós, tão pequenos, vendo tão longe, vemos também até onde se estende nosso olhar, o quanto podemos dominar e modificar, até onde nossa infindável e insana marcha rumo ao desconhecido pode ir. Olhar para as planícies é olhar para o lado, para baixo - enquanto, para as montanhas, se olha para cima.

A planície, dócil, não é o animal que se doma, mas sim o chão que se planta - já uma fera dócil (seria já morta?), que oferece toda sua extensão aos olhos humanos, sem mistérios, sem dificuldades de transpor, a não ser a dureza do sol. Somos, assim, os minúsculos senhores das planícies, enquanto ainda nos esforçamos para domar, ou até para sequer compreender as montanhas...

Mas é claro que você também passa pela Serra do Mar em suas viagens (aliás, onde estás agora, eu me pergunto...), mas eu vejo as viagens como uma oportunidade ótima de comparar com o local onde vivo - e, principalmente, refletir sobre como cada local tem um impacto diferente em minha forma de ver e pensar as coisas...

Depois de tantas montanhas e árvores, acabei caindo no sono de novo, para só acordar com meu irmão me cutucando quando nós chegamos. Almoçamos e passamos um tempinho em Joinville, e depois fomos com um Doblô até Bombinhas (mais duas horas dormindo... Mamãe ficava me perguntando se eu naõ estava dormindo pouco, ou qualquer coisa assim, mas ela mesma sabe como eu sou em viagens...)

Então cá estou agora, na pousada em Bombinhas, depois de andar na praia e nadar na piscina (ventinho frio + água gelada = mamãe não entra no mar nem que a paguem!), e tanta saudade que não sei como faço nos próximos dias... Sei que hoje você está no meio de sua viagem, mas eu queria tanto ouvir a sua voz, pelo menos para dar boa noite e dizer que te amo...

Enfim, tenho que me contentar em falar por aqui: te amo. Te amo tanto, Gil, que cada vez que vejo uma coisa bonita, fico pensando em quando e como eu posso mostrá-la a você; que a cada momento em que minha mente para um segundo sequer, é o seu rosto que primeiro vêm à minha mente; que tento ligar várias vezes, mesmo sabendo que não consigo, só para tentar; que enfrento a internet meio ruinzinha do hotel o maior tempo que posso, para poder fazer um post bonito para você ler quando puder...

Te amo muito, tá? E dá um jeito de falar comigo de alguma forma logo, senão eu fico maluca por aqui, amor...

(PS: tenho uma ou outra foto de Joinville, mas não dá pra mostrar porque a internet não fica ligada tempo o suficiente para carregar as fotos... Nhaw, fazer o que, né?)

Te amo muito, e espero que possa falar contigo logo!