quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Um pouquinho do dia que se inicia.






Hoje acordei, e estava em Curitiba. Naqueles pequenos segundos de desorientação, tive as mais estranhas das sensações - para começo de conversa, a cama estava virada para o lado errado, o colchão estava mais mole e o travesseiro, mais baixo... Abri meus olhos, e fui assaltada por aquela estranh sensação de algo que já foi tão familiar, mas agora não é mais tanto... Dormi dos 10 aos 17 neste quarto, e é difícil de apagar da memória a primeira imagem que seus olhos contemplam no dia durante sete anos... Mas mesmo assim, há aquela sensação estranha, de algo familiar mas não mais rotineiro... Enfim. Depois de passar algum tempinho pensando sobre isso, e quase com ânimo de levantar, olho para or relógio: sete e dez. SETE E DEZ! Para quem foi dormir lá pelas duas da manhã, era um absurdo... Parece até qu estar em Curitiba me lembra do tempo em que eu dormia cedo. Curiosamente, acordei sem sono -mas mesmo assim, voltei a dormir.
Quando a consciência me encontrou de novo, já eram nove horas -e, dessa vez, estava sonolentíssima. Me arrastei para fora da cama com alguma dificuldade, já ouvindo algum barulho de movimento lá fora. Estou sozinha em casa, já que papai vai trabalhar cedo. Ainda com cara de sono, vou abrir a janela para pegar um ar fresco - e me deparo com dois caras em um guindaste olhando para mim - estão podando as árvores para que elas não atrapalhem os fios de eletricidade (ainda bem que estou com a camisola/camisetão, mais comportada...). Fecho rapidamente as cortinas.
Coloco um daqueles vestidinhos simples e sem manga, e novamente sinto a diferença: o ar está fresco e levemente úmido, e sinto até mesmo um pouquinho de frio (meus braços estão geladinhos, daquele que não é o suficiente para colocar o casaco, mas seriam tão facilmente esquentados com um abraço...)
Os pássaros que cantam fora da janela também soam diferentes - e, se os ilustres senhores podadores de árvores resolvessem sair e me deixassem olhar pela janela, veria o verde escuro das plantas Curitibanas, e talvez, até, a Serra do Mar. Estar em Curitiba tem todo um ar diferente - ar daquelas cidades em que você pode andar sem rumo, seja para ver as casinhas aqui do bairro, ou seja para ver as lojas e edifícios mais velhos do centro. Já Brasília é uma cidade para quem sabe o que quer - tem seus cantinhos interessantes, tem muitas coisas acontecendo, mas andar a esmo pelos lugares geralmente significa longas caminhadas pelo descampado até chegar na próxima comercial, e geralmente vários minutos sem encontrar viv'alma.
Mesmo assim, já sinto falta loucamente de Brasília - ou, mais especificamente, de um certo sr. Gilberto Gomes, cujo nome figura (agora literalmente) em meu peito, e que também é um apreciador da singular beleza dessa cidade tão estranha que agora chamo de "casa".
Mas de volta para o presente, resolvo começar logo com os relatórios e com o último trabalho de IED. Ligo o Harry na rede de casa - e logo hoje quando tinha acordado com os olhos sem sal, eles já ficam úmidos de novo. É tão mentira dizer que você escreve mal, amor! E você ainda colocou aquela poesia...
Me preocupo um pouco (tá bom, tá bom, meio que bastante) contigo, e com o seu proferido piloto automático... Não sei se você é amante dos pequenos detalhes como eu, mas há um mundo tão infinitamente bonito e rico para ser olhado, mesmo em uma caminhada boba pela vizinhança, que é um tanto quanto triste ver tudo passar automaticamente. Dói mais, é verdade - distrair-se com o "concreto da rotina" (ou, no meu caso, com o tecido curvilíneo da novidade-que-não-é-novidade) para não precisar contemplar aquele vazio estranho e dolorido, aquela sensação de não saber o que fazer com mãos e braços, sem você para abraçar, ou o que fazer com a cabeça, sem você para me encostar... Penso nisso e já quase choro de novo. Mas talvez, com todas as distrações, basta olhar para o outro lado e não ver aquela enorme ferida metafórica, ainda aberta e sangrando, ardendo cada vez que noto sua ausência...
Quinta-feira, o primeiro dia dos 35. Você, que é mais organizado do que eu, quer fazer uma contagem?
Amor da minha vida, aproveite todo o sol e toda a chuva, viva de ver a beleza de nossas árvores tortas e prédios de concreto...
Estou contigo, mesmo que com esses quilômetros todos, mas sempre em pensamento - essa ferramenta poderosa que não conhece tempo nem espaço, no qual você está sempre ao meu lado, com aquele seu sorriso lindo, sempre pronto para me abraçar...
Meu analgésico para a saudade (daqueles bem fraquinhos, devo dizer), é mergulhar nas sensações das coisas, é prestar atenção em tudo, inclusive na saudade - é tentar, enfim, me sentir viva mesmo você estando longe. Pois entre todos esses sentimentos, que fazem o tempo passar mais rápido, está a esperança, o pensamento de que cada minuto que passa agora é um minuto mais perto do seu abraços, de suas mãos e do seu olhar...
Só nesse comecinho de dia há uma infinidade de coisas para se pensar e escrever, mas se abrirem minha cabeça, vão precisar procurar bastante pelas coisas diversas em meio a um denso mar azulado que domina minha mente, com uma única palavra: saudade.

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