sábado, 26 de dezembro de 2009

E Deus disse: Fiat Nuber!

Antes de entrar no "mérito da questão", venho aqui expor minha preocupação (traduzindo: bronca) contigo amor. Não fique triste! Qualé Lis? A saudade é um saco. Mas isso não pode interferir no jeito como tratamos as outras pessoas. Lis, se tem uma coisa que eu realmente detesto nas férias é a total perda de privacidade. Sabe, é como se o Gilberto multifacetado aqui só pudesse usar uma das facetas, a do bom filho, neto, blablablá. É chato? Sim, chato pra caramba. Mas poxa amor. Lembre-se que em breve estaremos juntos de novo. Lembre-se que eu não deixei de pensar em você um só segundo. E lembre-se que, se eu ligar de novo e você ter essa reação, eu paro de ligar. Porque se não te fizer bem, não vale a pena.

Tente se prender à Luisa dos seus parentes, amor. Faça isso por mim. Esse tempo que você tem com eles é um tempo precioso demais para ser gasto com lamento. Sorria! Sempre que lembrar de mim. Sorria, pois é isso que me deixaria feliz, amor. Eu tô sempre aí contigo, Lis. Não esquece.

Enfim, falando do Gilberto multifacetado, ele pôde usar uma faceta diferente da que geralmente usa aqui em Salvador. Pude sorrir com o clima Lis! Sabe, ninguém aqui em Salvador nota o meu mau humor porque, digamos, estou sempre de mau humor por aqui. E, como bom Mendes que sou, meu mau humor não é quantificado. Não estou de "mais" ou "menos" mau humor, simplesmente estou mal-humorado.

Mas, hoje, acordei com motivos para sorrir. E esse motivo eram as nuvens no céu! Pouco antes de acordar tinha até mesmo chovido, veja só essa! Com as nuvens no céu, 8h da manhã, arrastei mamãe e minha irmã para a praia, para dar uma caminhadinha básica. Acabou que extraviaram a câmera da minha irmã, então não deu pra tirar fotos e tals.

Mas enfim, com algumas gotas de chuva nos ombros e uma boa caminhadinha de 45 min, voltei pra casa, onde a "jênia" da minha irmã acha a câmera e, num gesto de bondade, me empresta. Saio de casa e vou tirar umas fotos pra te mostrar.

Essas três fotos aqui mostram a praia que tem aqui pertinho da casa da vovó:


A primeira é da praia em si. Dá pra ver que não é muito limpa, e que também não é nenhuma daquelas super praias comerciais, cheias de barracas e cabanas e tals. Tem uma ou outra vendinha, laaaaaá no fundão tem uma igrejinha abandonada e só. Sem-graça a beça (lá em Ilhéus sim, vou te mostrar umas fotinhas mais ajeitadinhas). Dá pra ver também que não é nada superfrequentada (se bem que essa é uma foto de 9h da manhã). Tem muita gente que mora aqui na ilha mesmo (os autodenominados "nativos") que usa a praia. Tem muita gente também de Salvador, classe média bem medíocre mesmo, que nas férias aluga um quarto num dos sobrados que fica perto da praia.



Essa segunda foto mostra a visão que eu mais gosto quando venho a Salvador. Não, não é a camisa do Palmeiras que tem no "popular" da foto. É a vista de Salvador da Ilha. É uma das vistas mais bonitas que eu já vi, sem dúvidas. A natureza pela natureza é muito bonito, e etc etc. Mas vai comparar com a beleza de uma cidade que desafia, a um só tempo, mar e morro? (Sim, as nuvens no céu, que, a essa hora 15h30, já sumiram, me deixaram de tão bom humor que estou até elogiando SSA, vai entender?). Vai comparar com a beleza da vista da nossa Torre de TV, que mostra todo o "aviãozinho" do Lúcio Costa, além de todos os prédios malucos do comunista matusalém Niemeyer?

A terceira, e última, foto da praia é uma em que hesitei bastante em te mostrar. Simplesmente porque é uma foto que eu mesmo tirei (é, não tive a sorte de ter fotógrafos pra mim por aqui), que mostra o quanto eu suo aqui em Salvador, mesmo que na sombra, mesmo com a brisa da praia. Tem também os óculos, que sofrem pra caramba aqui, mas que dão menos trabalho do que as lentes de contato. E como eu não entro na praia mesmo, melhor ficar de óculos. Enfim, só vou postar essa foto mesmo pra te provar que pisei na areia da praia.


Mas, agora, vou mudar um pouquinho o assunto do post. Vou te mostrar duas fotos do lugar onde estou hospedado. É a casa de praia da vovó, um "chalezinho" que fica dentro de um condomínio. E, doce sabor da ironia, o nome do condomínio é... Pasárgada. Triste coincidência. Poderia muito bem colocar a foto do portal de entrada do condomínio, que é grandioso e bonitoso e tals, mas vou colocar uma foto que eu tirei que mostra muito melhor meu estado de espírito em relação ao lugar (sim, ó pessoas incautas adoradoras da deusa Praia, não gosto do sal, do mar e da areia, apenas de sua brisa, o que não é nem de perto suficiente).


Depois dessa foto eu coloco uma foto da casinha da vovó. É pequena, nem tão confortável, mas é minha casa quando venho aqui pro Nordeste. Tem o aconchego da família.

É, o que eu tinha de fotos pra te mostrar era só isso. Mas voltando à ironia do Pasárgada. Aqui não durmo na cama que eu quero. Aqui, definitivamente, não tenho a mulher que escolhi. Felicidade em Pasárgada é aquela de neto que vê avô, e não aquela felicidade completa, de quem está rodeado por todos que querem. A existência simplesmente não é uma aventura, é apenas um passar de dias contados, com a mesma ameaça de ser puxado para a praia, com a mesma ameça de meu avô inventar mais alguma coisa pra gente comer. Enfim, pode até ser que minha Pasárgada aqui fosse boa o suficiente para o Bandeira. Mas, pra mim, ela é apenas um tipo de purgatório.

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