Assim como Brasília graciosamente me concedeu um belo por-do-sol a título de despedida, por quase dois meses, de minha (já querida) cidade onde moro, Curitiba também teve seu jeitinho de dar boas vindas à sua ovelha desgarrada, que volta (mesmo que temporariamente) à terrinha natal.Mas Curitiba, essa senhora de seus consideráveis quase 320 anos, é conservadora, de família tradicional e com um arzinho de arrogância de quem se vê como filho de Europa. Senhora fina que é, não hostilizaria uma de suas filhas, mesmo aquelas que saíram com ares de revolta - e, em toda sua gentileza, assim que cheguei aqui, fez toda a questão que eu me sentisse "em casa" - me surpreendendo com uma tempestade daquelas de chover baldes, com direito até a um pouquinho de granizo - e bem quando eu estava terminando de fazer compras no supermercado e ia pegar um ônibus até minha casa aqui. Enquanto olhava pela janela e não via um palmo à minha frente de tanta chuva, eu realmente quase me senti em Brasília.
Ao que parece, Curitiba está é com ciúmes de minha quase veneração pelo meu novo lar.
Depois disso, quando tinha acabado de tirar as roupas encharcadas e guardar as compras, saio com a Julia Moraes - coisa que não acontecia desde a oitava série - e vamos fofocar e ir ao cinema no shopping Müller.
Esse shopping é deveras interessante: fica bem no centro da cidade, num local que era uma antiga fábrica de alguma coisa que eu nem me lembro mais, e agora é um local que recebe um pouquinho de todas as "tribos" de Curitiba, desde famílias riquinhas até os "vileiros", os manos locais. Mas, ao invés de ter o "look" mais simples como o Pátio Brasil, esforça-se para passar o ar mais requintado o possível - aliás, Curitiba como um todo se esforça para parecer toda sofisticada, tanto as pessoas quanto os lugares. Percebo (e estranho muito) isso mais acentuadamente desde que me mudei para Brasília (cidade que, assim como seus habitantes, em alguns aspectos não está nem aí para ter pretensões de ser chique, contentando-se com o bonitinho, o curioso, ou até o arrumadinho sem frescuras.).
Em um jornal da banca, há a manchete de que Curitiba é a 5a cidade mais rica do Brasil... Não sei quais as outras que ficaram nesse ranking, mas mesmo que Brasília esteja lá, Curitiba se revela muito mais uma "cidade-fantasia" do que a própria capital do país.
Mas enfim, estou pirando de mais aqui...
Eu e a Julia ficamos conversando um tempão sobre o pessoal do colégio, sobre encontros e desencontros amorosos, sobre as cidades e tudo o mais, comendo chocolate e minhoquinhas cítricas comprados nas lojas americanas. Depois fomos ao cinema, ver aquele filme "Planeta 51", que não é aquele filme booooom, assim, mas é uma hora e meia divertida, até.
Depois do cinema, com a tarde já avançada e a chuva quase cedendo, fui encontrar o Ilton. Passamos um final de tarde e começo de noite falando sobre o determinismo geográfico, as complicações da tese de doutorado, sobre o esgotamento do positivismo jurídico, tocando e distorcendo músicas folclóricas brasileiras no piano, lendo comentários repletos de ironia em uma tese de doutorado de mais de 600 páginas e, como num gran finale, assistindo a um canal religioso para ver os absurdos que berravam por lá.
No dia todo, porém, houve apenas uma constante: (aquela que você me fez prometer não falar... Tudo bem, a parte de falar eu cumpri, mas se isso se estende a parte de não pensar no assunto, é praticamente um EPIC FAIL)
Fiquei o tempo todo pensando "nossa, mas o Gil ia gostar disso" ou "eu PRECISO mostrar isso pra ele quando ele vier" ou simplesmente "nhaw, cadê ele..."
Foi um dia agradável, sem dúvida, mas com a saudade ali, sempre constante, como se fosse uma mão invisível me apertando por dentro, aquele sentimento que nunca some, mas às vezes aflora, mais forte, cada vez que digo o seu nome, ou falo de você, ou vejo alguma coisa que você acharia interessante. Que saudade, Gil...
Mas repito: vejo, feliz, o tempo e as horas passarem, pois a cada minuto que passa estou mais perto de você. Por enquanto parece tanto - 34 dias, mais de um mês! Mas o tempo, agora nosso querido amigo, segue sua caminhada, mesmo que indiferente às nossas agonias, agora trabalha em nosso favor.
Para ilustrar um pouco meu dia, estão as fotos que eu tirei quando fui almoçar com o meus avós paternos, que moram no décimo quarto andar de um prédio no centro cívico, (um tantinho antes da chuva.
Esse olho estranho no meio de tudo é o museu Oscar Niemayer (sim, até aqui ele resolveu aprontar uma das suas...), também conhecido como o "museu do olho". Ironicamente, era inspirado em uma bailarina... Mas, com licença, na verdade aquilo parece é o Sauron de Curitiba (inside joke de Senhor do Anéis, hehe)
Aqui dá pra ver como Curitiba é arborizada também - cheia de parques e de árvores nas ruas, uma coisa que eu fiquei muito feliz de encontrar em Brasília - não sei se aguentaria viver em uma cidade só
de concreto.
Já nessa segunda foto, a vista de prédios altos que nos impedem de enxergar muito longe... Curitiba também tem lá seu planejamento: só se pode construir prédios maiores que cinco andares em um espaço pré-definido, entre a rua do expresso (onde há uma rua só para ônibus) e as "vias rápidas", que são parecidas com uma L2, com 3 faixas, cada direção de um lado da rua do expresso. Só o centro que não segue bem essa regra (ou segue? Tem tantas ruas principais de ônibus lá que é difícil ver), mas Curitiba, em si, acaba ficando mais espalhada por causa disso, com uma espécie de "espinha dorsal" de prédios altos que corta a cidade... Nessa foto não dá para ver com clareza, mas aparece também o apartamento onde eu morei dos 3 aos 10 anos, não muito longe da casa do meu avô, nem tããão longe assim de minha casa aqui em Curitiba.
Enfim, depois desse longuíssimo post, contando sobre o dia de ontem, tenho para compensar o fato de que hoje não vou fazer muita coisa - a não ser ir no cabelereiro, ir para a formatura e, no tempo vago, fazer os últimos trabalhinhos pendentes. (realmente espero acabar com eles logo). Só sei de uma coisa: é bem provável que eu acabe escrevendo um monte, mesmo não tendo feito muita coisa - afinal, é quando naõ estamos distraídos com tanta atividade que acabamos refletindo mais sobre as pouquíssimas coisas que fazemos...
Então, meu amor, você vai precisar perdoar o meu excesso de escrita, porque para mim é o melhor remédio para a saudade, a melhor forma de eu me sentir um pouco mais pertinho de você: escrevendo cada detalhe, cada pensamento - assim, pelo menos em pensamento, me sinto pertinho de você, me transporto para a tão comum cena dos dois encostados na minha cama, abraçados, eu falando minhas bobagens enquanto você me faz carinho e me olha com aqueles olhos grandes...
Te amo um tantão bem grande, viu?
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