domingo, 20 de dezembro de 2009

A Formatura, (parte 2)


Pois bem, onde eu tinha parado? Ah sim: a dança!!!


Não começou com a tradicional "valsa dos formandos" porque o infeliz do DJ (digo infeliz porque o cara era meio ruinzinho mesmo) não tinha nenhuma (imagina só!) e teve que baixar rapidinho da internet. Então começaram a tocar essas músicas de festa mesmo, e talz e talz... E, é claro, eu comecei a dançar.


Sabe aquela história de "dance like no one's watching"? Pois é, chega um pouco perto do que eu faço - eu sinto o ritmo da música (porque muitas vezes a letra é deplorável), fecho os olhos e me mexo - braços, pernas, cintura, do jeito que eu quero, do jeito que eu sinto. Se os outros olham, se os movimentos são graciosos ou esquisitos, sei lá - mas eu sei bem que prefiro que os outros achem que eu estou ridícula a dançar que nem os outros, travadinhos, olhando para os lados, nervosos, vendo como os outros estão dançando. Eu danço do meu jeito e foda-se o resto!


Segundo o Ilton observou, é uma coisa também que Brasília me mudou - "Meniiina, um ano na capital e você já está assim? Olha o que Brasília faz com as pessoas..." E, de fato, me soltei bastante desde que saí da escola - não fico mais tão travadinha com pessoas e coisas (é, se você acha que eu faço cara de medo quando conheço seus amigos, imagine só uma Luisa umas três vezes mais fechada, quando conhecia gente da mesma idade...).


Depois de algumas músicas, finalmente baixaram a valsa e os formandos foram dançar. Depois de um tempo, o Ilton me puxou pra dançar também e - surpesa! - ao contrário do que eu normalmente fazia, com uma trava imensa e dificuldade de ser conduzida, eu estava leve, me divertindo com aquilo tudo - e facilmente conduzível. Depois de comentários de "nossa, domaram a Luisa!" ( e alguns resmungos bem-humorados em resposta), fui declarada a "rainha da valsa" por ele em um de seus ímpetos mais teatrais...


Claro que, na hora de dançar forró, eu estava um pouco "alemãzinha" para os padrões dele, mas deu MUITO mais certo do que da última vez, quando eu simplesmente não andava para trás porque travava XDDD
Mas o Ilton, como é ótimo dançarino, era hiper-mega requisitado para dançar - então, enquanto eu não estava dançando com a Luisa, (ou também, como uma vez, com o José, primo de amigos do meu irmão que estava se formando na oitava série e me conhecia ), ficava dançando meio sozinha, e sentindo tanto a sua falta lá, para poder dançar juntinho contigo, poder sussurrar coisas no seu ouvido, poder parar de dançar um pouquinho para te beijar... E as músicas, também não ajudavam muito... (e, com toda minha melosidade da saudade, você bem viu como é fácil eu me lembrar de você com músicas...
A lua quando brilha, falo de amor
No gingado desse xote, sinto teu calor
À noite acordado sonho com você, iê, iê, ê, ê
O som ligado e fico perturbado
Sem ter o que fazer
E tento sair dessa rotina
Não quero, não, colo de mamãe
Só quero colo de menina
E pouco a pouco conquistar seu coração
Num outro dia a gente se vê
Vou para um lugar que lembre do sertão
E canto xote pra te convencer
Vou te ensinar como viver é bom
E amar até, amar até
Até quando Deus quiser
Como eu disse, minha seleção de qualidade foi pela janela para músicas que me lembram você, mas hey - a música nem é ruinzinha, e considere isso quase um "exemplo" da música de lá, se quiseres.
Mas o fato é que eu ficava lá, dançando sozinha, de olhos fechados de novo, mas dessa vez não para me mover livremente, e sim para poder imaginar que você estava dançando comigo, pirando mil pirações sobre como seria se você pudesse dançar comigo a noite inteira...
Depois que começamos a dançar, não teve nada tão digno de nota, "politicamente falando", quer dizer - eu já tinha tacado o "foda-se, sou melhor que vocês" e dançava lá na minha, e fora o fato de que, mesmo quando os alunos iam falar com o Ilton, que estava do meu lado, eles não olhavam para a minha cara, eu também não estava exatamente sociável com eles -virava a cara também, e ia fazer outra coisa. Se são xucros de mais pra falar comigo, o problema é inteiramente deles, oras.
Sobre a nossa aposta, pois bem... O que eu posso dizer que houve? Materialmente, o que mais chegou perto foi o José me pedir para dançar - mas gente, qualé, um menino de 14 anos, que ficava se desculpando toda vez que pisava no meu pé, meio nervoso de estar dançando com uma menina (afinal, ele é meio que o excluidinho da turma dele e talz), ISSO conta como alguém dar em cima? I don't think so, he was too terrified.
Fora isso, só fiquei o tempo todo dançando com a Luisa, principalmente, às vezes com a companhia do Ilton, às vezes com algumas outras colegas mais legaizinhas da Luisa, e nenhum homem (ou garoto, for the matter) chegou perto de mim, ou sequer falou comigo enquanto estávamos dançando...
...mas, é claro, tiveram os olhares. E como. Principalmente daqueles que não eram alunos, e não estavam "cegados" pelo estigma que eu carregava naquela escola. Mas vem cá, olhares não-correspondidos contam?
A festa começou a terminar quando os alunos chamaram os professores para o palco, "prenderam" eles lá e fizeram eles dançarem o créu... (ainda bem que eu avisei o Ilton, e ele "fugiu" para o banheiro), mas foi uma cena deveras bizarra de se assistir... XDDD
Enfim, chegamos em casa às 3 da manhã, o Ilton com suas altas intrigas resolvidas, e eu tendo dançado até minhas pernas cansarem, e ainda com uma ótima oportunidade para passar o tempo com a Luisa. Foi uma noite muito boa, me diverti horrores depois que a tensão e a hostilidade inicial passaram - mas, como nunca, senti falta de ter o meu fofinho ali do lado para dançar comigo.
Fiquei lembrando da festa à fantasia, e como é bom dançar qualquer coisa assim, a dois, assim como lembrei aquela vez na sala *sim, aquela quando eu sem querer bati em você*, em que confesso que raras vezes me diverti tanto. Você deve ter percebido que eu adoro dançar, qualquer tipo de música que seja (claro, tenho meus limites, mas não são tão altos quanto àqueles que eu uso para escutar música). Tendo música, meu corpo também quer senti-la, e fico ensaiando passinhos até mesmo enquanto lavo louça...
Eu ouvi já uma vez que nós podemos sentir a música em três dimensões diferentes: com o corpo, com as emoções ou com a mente. A nossa mente permite identificar o virtuosismo, aquela música que é "boa"; nosso lado emocional identifica-se com até mesmo as músicas mais singelas, mas o que conta é a capacidade de sintonizar com a "essência humana", com aquilo que nos move e nos faz sentir o mundo além dos cinco sentidos... E o corpo liga para o ritmo, para a base, para sentir a música de uma forma mais orgânica, como uma forma de liberar energia presa por tantos séculos de civilização, em expressar o que mais há de inconsciente em nossa consciência, em desligar a mente pensante para existir em uníssono com a música, perder-se nela...
Gosto de dançar para poder vivenciar a música plenamente de todas as formas - e compartilhar isso contigo, Gil, é uma das coisas que me deixa mais feliz (mesmo que você talvez tenha um pouquinho de vergonha, mas talvez um dia você veja o quanto isso pode ser libertador!) É como poder gritar bem alto para tirar toda a frustração, a raiva com as coisas - é dar ao seu corpo a liberdade de movimento que ele não tem no cotidiano, é tirá-lo do domínio do seu cérebro e entregá-lo à música - seja com passos coreografados ou simplesmente mexendo o corpo sem sentido ou direção - enfim.
É, estou pirando de mais sobre danças, não é? Isso é que dá quando eu tento explicar porque eu adoro tanto isso...
Mas enfim, fofinho, depois dessa pira toda, eu só espero que tenhamos várias oportunidades para dançar juntos no ano que vem... ^^
Um balanço de toda a formatura, voltando ao assunto: que posso eu dizer? Vamos lá:
1- Encontrar poucos e bons amigos: WIN
2 - Encontar professores e falar com eles de novo: WIN
3 - Falar com ex-colegas que eram legaizinhos: WIN
4- Ver de novo o povo falso que me ignorou: FAIL
5- Assistir à cerimônia meio chatinha: LITTLE FAIL
6- Dançar: MEGA WIN
7- DJ ruim: FAIL
8- Ver a Luiza de novo: WIN
9 - Intrigas do Suíço: kinda FAIL
10 - Volta de sentimentos de hostilidade e medo que eu tinha antes: bizarramente horrorizante
11- Superá-los: WIN
12- Perceber que, embora aquilo tenha moldado minha vida, já não faço mais parte disso: WIN
É... Acho que foi um balanço positivo, até...

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