É uma boa pergunta...
Iria começar a frase dizendo "Normalmente, uma viagem começaria...", mas quando comecei a escrever, percebi que nem no tão rico senso comum há uma resposta certa. É quando saímos de casa? É quando chegamos em nosso destino? É quando o avião/carro/ônibus/bicicleta/caminhada parte? É quando arrumamos as malas?
Esses seres humanos e suas manias de tentar encontrar marcos iniciais para processos contínuos... Por que será que temos essa ânsia de mutilar o contínuo do tempo em compartimentos de anos, dias e horas, e tentar, por força, marcar a que instante a eternidade começa? Mas enfim, cabeça dispersa, o lugar para pirações é no outro blog... Aqui falamos de viagens.
Se confronto minha pouca idade com minha "milhagem", desde idas ao Sítio até à China, ou as voltas à terrinha natal a cada feriado, talvez possa dizer que sou meio que uma viajante... E, mesmo assim, todas as minhas viagens começam em pontos diferentes.
Haviam aquelas viagens pequenas, quase corriqueiras, que começavam meia hora antes da partida, quando me acordavam e mandavam arrumar as malas. Algumas outras começavam com um certo planejamento, dois dias antes, enquanto fazia as malas com mais calma ( ou seja, escolhia um pouco melhor o que enfiaria da mesma forma bagunçada dentro da mala). Algumas outras começavam quase semanas antes, com preparos mais minuciosos, expectativas e até nervosismos... Mas de todas as viagens que eu fui, essa é a primeira que começa com saudades... As malas ainda não foram arrumadas, as pendências da faculdade e de casa ainda não foram resolvidas, mas eu já vejo com olhos de quem está longe...
Saudades... É tão estranho falar de saudes quando ainda estou em casa, mais estranho ainda quando vê-se que eu não tenho lá um grande apego a lugares específicos - posso gostar, mas não me prende. Agora, as pessoas... Ou melhor dizendo, A Pessoa... Sim, Gil, estou falando de você.
Deixo as explicações do como e porquê depois - você é muito melhor com esses troços mais objetivos do que eu, que sou tão enrolada - e inauguro esse blog com uma palavra que, ao que parece, vai ser uma grande constante aqui: saudades.
Minha viagem já começou, sim - mesmo que eu não tenha mexido uma palha para arrumar as coisas, que ainda tenha uma prova por fazer e um fichamento (no mínimo!), e mais um tanto de coisas, já há mudanças no meu cotidiano, já há uma diferença no tão normal "estar aqui" - e isso eu vejo principalmente nas nossas ações.
Abraços de despedida já são mais longos e demorados: o "até amanhã" parece acompanhado por um "mas por pouco tempo" implícito que dá um quê de tristeza a cada último abraços. Os olhares tristes se intensificam (também o que você chamaria de "dramas" do meu lado), cada pequeno minuto é buscado e contado com uma voracidade e até avareza... De vésperas, já sinto saudades.
Pensar na viagem me dói de tal forma que só depois de um tempinho que começo a me consolar com o que encontrarei por lá - meus poucos e bons amigos, uma ou outra festa, minha irmã, o Sítio, a praia, poder ler meus livros em paz, parentes que não via faz tempo... Mas por que tudo isso tem que ser longe de você?
Oras, ma lá vou eu choramingar aqui... Não está certo. Não gosto da idéia de ficar tantos dias assim longe, mas sei que, uma vez lá, também vou me divertir. E dessa vez, diferente de tantas viagens, sei que a alegria não está na volta para casa - e sim na sua vinda, para complementar duas coisas que tanto gosto - viajar e ter sua companhia.
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