segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Do calor, do dia de ontem e mais umas outras coisinhas...

...porque, ao contrário de você, amor, nem quando não tem nada para contar eu consigo ser breve... Sei lá, é quase que uma terapia ficar aqui escrevendo, nem que seja para fazer o tempo passar...

Enfim, depois de tantas reticências, eis os assuntos em pauta:

1- Quais os livros a respeito de história do Brasil que você já tem? (pergunta da Oma)
2- Falar um pouco mais do mar e da chuva, que aquele momento foi tão bonito que eu quero deixar alguma coisa dele registrada para a "posterioridade"
3- Comentar o meu pequeno desespero com essa @!@!@%#&#@#$&@¨#%&@#¨ de tecnologia, que falha bem nos momentos mais inapropriados, tsc tsc...
4- De como logo chegaremos na marca dos 20 dias, e, eu espero, logo começaremos uma contagem regressiva deliciosa e um pouquinho agonizante
5- De como não é o sol da praia, mas o insuportável calor úmido de Joinville que está fazendo sua pobre namorada derreter...

Bem, como nunca tive aqueeele interesse todo por matemática (embora minhas notas sempre fossem teimosamente altas), vou começar pelo final e sair da ordem que coloquei. Para seguir a "tradição", eis meu estado atual:

Estou aqui, usando aquela bermuda branca e a blusa sem manga, rosa com detalhes coloridos que a Oma me deu de natal, com uma trança embutida enorme e elaborada que eu tive tempo de fazer porque terminei de arrumar minhas malas um tanto mais cedo. Neste exato momento, não estou com o Harry, mas sim no PC da Oma, que não tem nome, mas quanto à velocidade parece movido a manivela. Mas enfim, não é preciso lá taanta velocidade para se escrever num blog, então não vou reclamar.

Ah, sim, e mal consigo aguentar no escritório, porque o frio do ar condicionado da sala e do ar condicionado do quarto ainda não chegaram por aqui.

Joinville no verão, eu preciso dizer, é um inferno.

Não que a cidade não seja bonitinha, com um monte de lugares e lojinhas interessantes (e livrarias na esquina de casa *-* ): a grande questão é a combinação mais fatal quando se trata do clima: quente e úmido. Além do calor de derreter meu pobre cérebrozinho, a umidade toda faz com que fique difícil até de respirar, com que nem a sombra consiga aliviar nosso suplício, e a falta de altitude faz minha pressão ir lá pra baixo (pra você ter uma idéia, o meu normal é 10 por 5). Então, além de suada e encalorada, eu viro uma zumbi tonta e meio burrinha, suada e encalorada. Por aqui, tudo me faz querer deitar num cantinho (com o ar condicionado ligado no máximo, de preferência) e dormir, dormir, dormir...

Neste momento, você deve é estar revirando os olhos: quem sou EU para reclamar se o senhorito está aí em Salvador, provavelmente derretendo mais do que as calotas polares nos piores prognósticos de ambientalistas? Pois é, em minha defesa só posso dizer que não tenho sangue baiano nas minha veias, e eu deixo você reclamar mais do que eu do frio quando estivermos em alguma missão diplomática na Sibéria...

Enfim, mas após meu desabafo de calor, findo dizendo que só mesmo para escrever pra você que eu aguento esse forninho aqui (mimimi, e não é nem uma das suas metáforas bizarras, e sim só um local abafado e quente).
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Outro assunto agora... Ah sim, retomando: livros. Que livros você tem da história do Brasil, amor? Por razões que eu não revelarei (mas devem ficar meio óbvias), a Oma quer saber. (e eu tenho uma certa curiosidade também, afinal, eu também posso emprestar um ou outro livro de você, não?)
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Pronto, esse foi rápido. Agora, com dois itens menores riscados da "pauta", vamos aos maiorzinhos (aiaiai, Gilberto deve estar pensando... essa menina vai escrever aí pra sempre!)
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Sobre as falhas tecnológicas de ontem, eu quase tive um treco. Não bastasse a queda de energia e da torre de celular bem na hora em que você ia ligar (damnit, parece que o mundo conspira...) ainda foi acabar a bateria do celular bem quando eu falava com a sua tia. SUA TIA!!! Mó medinho meio irracional de causar algum incidente diplomático, sei lá... "menina mal educada essa, que desliga na cara das pessoas..." Realmente espero que ninguém tenha levado a mal. Aliás, fale para ela muito obrigada pelo convite, e desculpas pelas "falhas técnicas" aqui. Reitero isso porque cheguei a ficar meio preocupadinha ontem à noite, mas enfim... :P:P:P:P:P
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Hoje de manhã, quando acordei, não quis nem ir para a praia, só fiquei ouvindo música e arrumando as malas, enfim, relaxando no frescor do ar condicionado do quarto, só de vez em quando olhando para o mar e o sol escaldante lá fora...

É que, quando você tem uma experiência que beira a perfeição, o melhor que se tem a fazer é mante-la como uma última memória, sem a sobreposição com outras normais... Assim, tive a felicidade de poder escolher que meu último momento no mar dessa "temporada" fosse, justamente, entrar no mar com a chuva...

Na hora do almoço tínhamos ido almoçar fora do hotel, e dez minutos andando pelas ruas de Bombinhas, com aquele sol escaldante e sem a brisa do mar por perto, me nocautearam completamente: minha pressão foi lá para baixo, eu estava mais tonta do que um bêbado depois de uma montanha russa, e me entoquei no quarto, com o Harry em cima da barriga, sem querer saber de sol, calor ou mundo exterior por um bom tempo.

Aquelaassim sendo, foi da mais pura e total morgação: enquanto esperava (em vão, snif, snif) por algum post seu, aproveitava para ver e-mails, ver coisas eventualmente interessantes na internet e talz e talz...

Até que mamãe chegou e, cansada de me ver largada na cama, chamou para uma caminhada na praia. Como o céu estava mais nublado e a internet tinha esgotado suas coisas interessantes, resolvi acompanhá-la.

Estava uma caminhada normal, no começo: céu encoberto por nuvens, água do mar quentinha de sol nos nossos pés, comentários (às vezes mordazes) sobre as pessoas passando, comentários da mamãe sobre pessoas que ficariam me olhando (segundo ela, estava a um passo de estapear a todos), e por aí vai...

...até que começou a chover.

No começo, era um ou outro pingo, facilmente confundível com algum espirro da água do mar ou de alguma pessoa mal-educada jogando água dos outros. Isso é, até que começamos a ver a areia. Eram pingos grossos grandes, daqueles que chegam a doer nos ombros, e faziam uma barulheira assombrosa ao bater na areia, deixando sulcos redondos ao nosso redor. O mar, que antes parecia um enorme pedaço de seda verde ondullante, agora tinha o aspecto enrugado da lã, ou de um enorme alto-relevo ondulante, como uma cobra gigantesca que ondulasse seu corpo para se mover.

Andamos um bom pedaço embaixo de chuva, aquela abençoada chuva que aliviava o calor de fim de tarde, com um cheiro de frescor e água doce, e aquela sensação arrepiante tão conhecida da força de uma tempestade...

Enquanto sentia meu vestido ficar encharcado, meu cabelo pingando e meu espírito mais leve do que esteve em dias, uma idéia me ocorreu: se sentir apenas aquele aspecto de força natural já era uma coisa, que dirá ficar entre o mar e o céu? Eu já estava molhada mesmo, e provavelmente a água do mar estaria bem mais quente do que a água da chuva...

Assim, mesmo com os protestos da Oma (você vai ser eletrocutada, menina!), eu vesti rapidamente o meu biquíni e pulei na água.

Os caras jogando futebol na areia ficaram até assombrados: de repente sai uma doida correndo do hotel, especialmente por causa da chuva e, ao invés de seguir o movimento lógico, que seria buscar abrigo, corre para o mar, com um sorriso enorme no rosto. Mamãe logo me acompanhou, já que ela já estava com o maiô bem antes, e por um tempo ficamos as duas lá, boiando no mar, sentindo a força da maré nas pernas e os pingos de chuva nos braços. Cercada de água por todos os lados, do movimento incessante do mar, do ritmo caótico das gotas de chuva, e até mesmo do som distante dos trovões... Em meio àquelas forças que eram tanto acalanto quanto destruição, me sentia uma criança de novo: mergulhava, girava de braços abertos, sentia a chuva no rosto enquanto boiava... Foram minutos estranhos, com minha mente completamente vazia de abstrações, apenas experiências sensorias e sentimentos inexplicáveis, apenas o mar e a chuva, mamãe e eu...

Quando os raios começaram a vir, mamãe praticamente me arrastou para fora. Ainda fiquei um tempinho a mais na chuva, enquanto esperava poder tomar um banho - mas aqueles poucos momentos no mar, mesmo que para um observador não pareçam nada de especial, vão ficar estampados em minha memória. É um daqueles momentos tão raros em que me sinto simplesmente viva, sem complicações, incondicionalmente, completamente viva.

Um dia, meu amor, eu vou te beijar na chuva... Já temos essa coisa com tempestades, e talvez possamos aproveitar uma dessas chuvas brasilienses para você ver como é bom... Porque mesmo em um momento perfeito como aquele, só a sua presença poderia torná-lo ainda melhor... Sim, mesmo que fosse com seus resmungos de "isso não é prudente", ou "isso não é certo" - talvez você também acabasse se rendendo a esse mundo tão estranho, mas tão belo...
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Agora, para finalizar essa postagem gigantesca, apenas uma coisa que constatei: uma parte da viagem já se foi... A distância que começou no dia 16 já passou até o dia 28, e logo chegamos na metade de nosso pequeno suplício. Quando eu estiver lá no Sítio, passaremos a marca dos 20, e em um piscar de olhoos estaremos nos 10, em uma contagem regressiva que, mesmo que só faça aumentar a saudade, será uma saudade boa, com uma promessa de reencontro cada vez mais perto...

Enfim, com as pressões do calor, da mamãe querendo ver o e-mail e do tamanho gigantesco da postagem, eu me despeço por aqui... E peço, meu amor, que escreva logo para mim, já que, quando eu for para o Sítio, vou ficar uns bons dias sem acesso algum à internet...

Te amo de mais, fofinho...

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