quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A despedida

O dia estava lindo quando nos despedimos hoje: o céu estava cheio de nuvens volumosas e tingidas de dourado pelo entardecer, mas entreviam-se alguns pedaços de céu. Tinha acabado de chover, e as plantas estavam todas frescas e verdes, até mesmo emprestando por alguns instantes o brilho do sol quase poente.

Entre tantos dourados, azuis e verdes, não poderia também faltar um pouquinho de vermelho. Notadamente, minha cara "atomatada" de chorar. Passei uma desconcertante parte do dia chorando - desde a semana passada, meus olhos já mareavam com a lembrança da eminente despedida - mas hoje, não foi só uma lágrima ou outra furtiva, mas o pacote total. Sim, isso inclui os olhos vermelhos, nariz de Rudolf, soluços intermináveis e nariz escorrendo...

Pelo menos, para meu alívio, eu não estava sozinha - você também chorou, embora de forma mais contida (só se permitiu chorar mesmo na privacidade de meu quarto, ao contrário de minha cena avermelhada no estacionamento da biblioteca) E acredite: mesmo chorando você é lindo... Além de eu saber que não serei a única boba sentindo a sua falta...

Olhando agora, foi uma cena bonita: os dois vermelhinhos de chorar, com o rosto todo molhado, rindo, chorando, beijando e falando tanto coisas sérias quanto pequenas bobagens um para o outro...

Depois que você conseguiu ir embora (para mim, estava difícil de largar), fiquei olhando para você o máximo que pude, até mesmo no retrovisor do carro, até que não dava mais... Aquele pontinho de camiseta monocromática, um último olhar para aquele rosto sério e aqueles cachinhos que eu tanto amo (e que vão sumir amanhã, mimimi...)

Ensaiei mais uma sessão de choro, mas tentei me distrair olhando para fora - de repente, com os olhos ainda ardendo do sal, o campus estava lindo, com seus prédios de ar quase sóbrio como que descansando em um enorme tapete verde e úmido, como se os próprios prédios já estivessem de férias. Andando pela estrada, havia um vento suave, e tudo estava tão colorido e vivo... Em meus pensamentos que tentavam ser leves, imaginei que era Brasília dando adeus para aquela que chegou como uma estranha, e agora partia de um lugar que já chamava de lar...

Ainda nem cheguei perto do aeroporto, e já estou morrendo de saudades, meu bem... O que mais queria era voltar lá e te tirar da prova, enfiar na minha mala e ir contigo... Mas bem. Você tem sua prova, eu tenho minha mala, e nós dois precisamos saber esperar.

Assim começam os 35 dias...

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