Depois de nossa mini-despedida ontem no msn (sim, foi como que uma segunda despedida para mim... Nada de boa vida com a possibilidade de falar no MSN todos os dias, nem mesmo o telefone, agora descobri, porque o seu está habilitado para não receber chamadas "a cobrar", e é cobrado de você quando você está fora de Brasília... Mas enfim, não foi para meus pequenos choramingos que vim aqui.
O fato é que o ônibus que levaria a mim, à mamãe e ao Gus para Joinville saía às 9 horas, o que vez com que, mesmo que eu fosse dormir lá pela 1 da manhã, eu precisasse (oh, o horror!) acordar cedo. Não pudemos ir de carro para lá porque o papai precisava trabalhar até de tarde e viria depois, etnão pegamos um ônibus até Joinville, lá pegamos a Oma e fomos, enfim, para Bombinhas. Com o itinerário esclarecido, lá vamos nós para a piração nossa de cada dia...
Depois de acordar cambaleante e absurdamente cedo, fomos até a rodoviária, onde caí no sono logo que sentei no ônibus. Tínhamos conseguido comprar as últimas passagens daquele ônibus, então era lá no fundão e cada um estava sentado em uma "fila" diferente, todos no corredor. Para minha sorte, estava sentada do lado de uma moça que ficou quetinha, na dela - Gus sentou do lado de um cara que roncou durante metade da viagem e, segundo ele, desconhecia o que era um produto revolucionário chamado "desodorante". Já a mamãe sentou do lado de um rapaz jovem lá, e depois disse que eu tive sorte de não sentar lá, já que ele estava (sic) meio saliente e espaçoso. Geez, cada uma, viu...
Mas enfim, como eu dormi deliciosamente ouvindo a trilha sonora do Glee que eu tinha baixado ontem, mal percebi as horas que passavam... Até que abri os olhos, e pela janela do ônibus, tinha uma vista linda: um lago cheíssimo, quase transbordando para cima de uma série de montanhas cobertas de árvores, uma floresta densa e verde-escura. Uma ou outra casinha simples de madeira figurava nas margens, e fora isso, apenas a água e as árvores...
Antes que pudesses sequer pensar em pegar minha câmera em minha mochila, que estava guardada em cima do assento, a cena já tinha passado.
Estávamos perto da serra, começando a descida, e interrompi minha soneca um pouco para ver as montanhas. É realmente uma pena que minha mochila estivesse meio longe - seriam fotos belíssimas. Montanhas e mais montanhas nos cercavam, seus contornos lembrando patas e dorsos de enormes feras adormecidas cobertas pela floresta densa, de uma diversidade inimaginável que se fundia em uma enorme mancha multicolor escura e verde.
Não estamos aqui falando de montanhas enormes e pontudas exibindo sua rocha nua e agressiva das montanhas jovens, e sim de nossa boa e velha serra do mar, montanhas anciãs que já tiveram seus ângulos amaciados por milênios de ventos e chuvas, e já domadas pelos passos do homem que as enlaçam em estradas e as montam com suas casas, essas enormes bestas eternamente adormecidas que passivamente assistem à sua modificação pelas mãos de uma formiguinha insignificante...
Mas o homem parecia não ter tocado tão violentamente a área que eu conseguia ver, a floresta que ora tinha pinheiros, ora palmeiras, tão calmas e tão vivas em sua imponência, cada curva desconfortável do ônibus lembrando a todos que o homem não pode simplesmente marchar reto pelo mundo e passar por cima de tudo.
Acho belíssimas as paisagens dominadas por montanhas, com sua forma de aparecer da névoa, suas inúmeras camadas, suas formas curiosas e a perspectiva que elas nos dão: somos tão absurdamente pequenos!
As planícies de Brasília, tão assombrosamente vastas quanto as montanhas parecem tortuosas e altas, também dão um senso de "céus, como sou pequeno" ao homem, mas eu sinto uma diferença fundamental em relação às montanhas: as planícies sem fim, parecendo fazer até o céu se esticar para abraçá-las em um teto mais baixo do mundo, ao invés do sentimento de humildade perante a majestade das montanhas, traz aos olhos a compreensão das ilimitadas possibilidades do espírito humano: nós, tão pequenos, vendo tão longe, vemos também até onde se estende nosso olhar, o quanto podemos dominar e modificar, até onde nossa infindável e insana marcha rumo ao desconhecido pode ir. Olhar para as planícies é olhar para o lado, para baixo - enquanto, para as montanhas, se olha para cima.
A planície, dócil, não é o animal que se doma, mas sim o chão que se planta - já uma fera dócil (seria já morta?), que oferece toda sua extensão aos olhos humanos, sem mistérios, sem dificuldades de transpor, a não ser a dureza do sol. Somos, assim, os minúsculos senhores das planícies, enquanto ainda nos esforçamos para domar, ou até para sequer compreender as montanhas...
Mas é claro que você também passa pela Serra do Mar em suas viagens (aliás, onde estás agora, eu me pergunto...), mas eu vejo as viagens como uma oportunidade ótima de comparar com o local onde vivo - e, principalmente, refletir sobre como cada local tem um impacto diferente em minha forma de ver e pensar as coisas...
Depois de tantas montanhas e árvores, acabei caindo no sono de novo, para só acordar com meu irmão me cutucando quando nós chegamos. Almoçamos e passamos um tempinho em Joinville, e depois fomos com um Doblô até Bombinhas (mais duas horas dormindo... Mamãe ficava me perguntando se eu naõ estava dormindo pouco, ou qualquer coisa assim, mas ela mesma sabe como eu sou em viagens...)
Então cá estou agora, na pousada em Bombinhas, depois de andar na praia e nadar na piscina (ventinho frio + água gelada = mamãe não entra no mar nem que a paguem!), e tanta saudade que não sei como faço nos próximos dias... Sei que hoje você está no meio de sua viagem, mas eu queria tanto ouvir a sua voz, pelo menos para dar boa noite e dizer que te amo...
Enfim, tenho que me contentar em falar por aqui: te amo. Te amo tanto, Gil, que cada vez que vejo uma coisa bonita, fico pensando em quando e como eu posso mostrá-la a você; que a cada momento em que minha mente para um segundo sequer, é o seu rosto que primeiro vêm à minha mente; que tento ligar várias vezes, mesmo sabendo que não consigo, só para tentar; que enfrento a internet meio ruinzinha do hotel o maior tempo que posso, para poder fazer um post bonito para você ler quando puder...
Te amo muito, tá? E dá um jeito de falar comigo de alguma forma logo, senão eu fico maluca por aqui, amor...
(PS: tenho uma ou outra foto de Joinville, mas não dá pra mostrar porque a internet não fica ligada tempo o suficiente para carregar as fotos... Nhaw, fazer o que, né?)
Te amo muito, e espero que possa falar contigo logo!
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