Como você deve ter percebido, meu bem, eu estava um pouquinho emo quando você ligou... Mas o curioso é que não foi a sua ligação, apenas, que me deixou assim... Ontem, lá pelo final da tarde, estava com um humor meio melancólico...
Não sei se foi algum reflexo de passar muito tempo sempre na companhia de outros ( eu tenho essas piras de precisar ficar sozinha de vez em quando), ou se foi simplesmente o conhecimento do número de dias que ainda faltavam, mas o fato é que eu fiquei meio isolada de todos, no meu canto, mais quietinha, enquanto sentia a saudade me corroer por dentro, como sempre acontece quando dou um espaço maior nos meus pensamentos para ela se desenvolver.
Depois de um jantar meio quieto da minha parte (até o pessoal já estava meio preocupado, me perguntando o tempo todo o que tinha acontecido, se eu estava doente, se eu estava triste, etc), fui para o quarto antes de todos, já que eles queriam dar uma andadinha na praia... Para me deparar com o telefone tocando.
Eu realmente não sei se a sua ligação ajudou ou piorou a saudade - por um lado, foi tão bom, mas tão bom ouvir a sua voz... Mas por outro, me deu um gostinho do que eu não tinha, nem vou ter por mais vários longos dias... O fato é que eu estava chorando um monte enquanto falava com você, até que eu tive que parar tudo quando a Oma chegou. Afinal, não quero que o pessoal fique se preocupando...
Depois de (com certa dificuldade, admito) me despedir, disse que "ia dormir direto, sem ler", para poder chorar quietinha do meu lado da cama - mas a Oma, em sua sabedoria que os anos trazem, parecia saber bem o que estava acontecendo, embora não interferisse.
Um tempo depois, enquanto ainda me debatia na cama, sem conseguir dormir, ela me puxou para o lado dela, e disse "Luisinha, ele disse alguma coisa ruim para você?"
Prontamente respondi que não, ao que ela apenas me abraçou. "Sabe, querida, eu sei bem como é sentir saudade..."
De repente, eu entendi - mas é claro que a Oma sabe o que é saudade, e melhor do que ninguém... Seu companheiro de quase 50 anos (fariam 50 anos no ano passado, se não me engano) faleceu há quase 8 anos, e essa é uma saudade sem a promessa de um reencontro em vida, um amargo sem o doce no final...
No final das contas, quem sou eu para falar de saudade?
Mesmo assim, ela me consolou, fez carinho nas minhas costas até eu pegar no sono de novo, sem falar, apenas com certa solidariedade e sua presença reconfortante... Assim, dormi.
Tive sonhos agitados - embora não lembre de nenhum deles agora - e a Oma diz que eu dormi meio mal, revirando-me na cama o tempo todo, mas, quando acordei, estava bem de novo - aquela tristeza paralizante superada, transformada naquela sensação "bittersweet", aquela presença constante pesando sempre em meu coração, mas sem dominar meu corpo ou minha mente...
Ainda sinto muito a sua falta, ainda penso em você o dia todo - mas pelo menos agora estou em paz, muito mais perto de estar feliz do que estava ontem...
É, sempre há ainda o que aprender com a voz dos mais experientes, principalmente nesses assuntos que transcendem todos os livros e ciências do mundo, imortais e misteriosos, como os fortes sentimentos humanos...
sábado, 26 de dezembro de 2009
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