sábado, 26 de dezembro de 2009

O mar, o(s) livro(s) e mais um dia de fazer nada...















Com um monte de creme pós-sol no corpo e um monte de frutos do mar na barriga (exceto camarão, que, como não gosta da minha barriga, tem a irritante mania de instigar rebeliões e levar tudo o que eu comi para fora, mas enfim), aqui estou eu novamente, sentada na varanda do quarto, com aquele calor meio abafado perpassado por uma leve brisa, acima o céu tão azul, ao lado o mar tão verde, e à minha frente os pirralhinhos brincando até que civilizadamente na piscina...

O que ontem eu tinha de atormentada, hoje eu tenho de pacífica - não sei por que, depois de ler o seu post ontem eu fiquei num estado melancólico, dormindo muito, sem vontade de comer nem falar, só curtindo a saudade e me agoniando com a quantidade de dias pela frente... Mas disso eu falo em outro post. Agora, quero só falar de praia, de mar, e dos livrinhos interessantes que eu ando lendo...


Ontem o mar estava mais revolto, a correnteza mais forte nos puxando e empurrando como bonequinhos de pano. Quando entrávamos no mar, precisávamos ficar sempre atentos às nossas cadeiras, para poder ter uma mínima noção de onde tinha sido nosso "ponto de partida" - pois, cinco minutos depois de entrarmos na água, mesmo que estivéssemos aparentemente parados, nos deslocávamos para a direita... Enfim, você sabe como é, não?



Como o dia estava claro, sem nuvens, resolvemos pegar os snorkels e ir até a ponta da praia (eu já te expliquei mais ou menos a configuração, né?), onde tinham umas pedras e um monte de peixinhos. A água estava meio mexida com a correnteza, mas mesmo assim deu para ver muita coisa: alguns adoráveis peixinhos coloridos, com listrar azuis e amarelas, peixes brancos com uma pinta preta perto do rabo, com um ar formal que lembrava quase gravatas, peixes pretinhos e ágeis, e até um baiacu (embora em sua forma desinchada). De todos, porém, o ser mais curioso de longe era uma menina histérica no colo do namorado, (sei lá se tinha medo de peixes, ou qualquer coisa do tipo), que ficava berrando tanto que eu conseguia ouvir até de debaixo d'água. Quando me levantei e fui falar com meu pai e meu irmão, logo soltei um "quem é que tava gritando tanto?" em alto e bom som - apenas para, é claro, ser avisada de que a criatura em questão estava exatamente atrás de mim. Pff, tomara que tenha ouvido! Aliás, se era para ela ouvir, deveria ter sido menos branda, ter dito algo mais para "quem é a retardada histérica que fica berrando desse jeito?". Mas enfim.


O que me irrita nisso não é a frescurite em si, mas sim que eu estou lá para sair do mundo normal e entrar na paisagem extraterrestre que é o mar, sem ouvir direito, sem a possibilidade de falar, apenas com a visão e o tato para observar e (tentar) pegar um mundo tão diferente do meu, para deixar meus pensamentos vagarem enquanto estou imersa em um mundo tão diferente... E ter essa sensação quebrada pelas frescuras de uma menina com medo de peixes é lastimável. ( se os peixes malvados vão te comer, filha, por que então quis vir pra praia que mais tem peixes na região? Mistério, mistério...)
Mas enfim. Fora nossa tentativa de snorkeling, só há de diferente na "experiência praística" a presença de uma bola inflável, divertidíssima de jogar, ainda mais quando o Luiz Gustavo se empolgava e quase caía em cima das pessoas inadvertidamente tomando sol na beira da praia... Jogar bola dentro do mar era igualmente divertido (e perigoso para as pobres cabecinhas inocentes de outros banhistas), mas o melhor mesmo era tentar boiar em cima da bola... Mas enfim, não deve haver grande interesse, para você, nas possibilidades de uma bola inflável de plástico na praia, não?
Quando chegou a hora do almoço, tomei um banho e dormi um bom tanto, e só depois é que foi bater aquela melancolia da qual falei... Mas, como eu disse, isso é assunto para outro post.
O dia de hoje estava um tanto quanto diferente do outro - além de nossa resolução de ir para a praia mais cedo hoje, o mar estava uma verdadeira piscininha, de tão calmo, e não há nenhuma nuvem no céu. Fui para a praia, com papai e LG, lá por umas 9 da manhã, quando o calor estava no começo, e ficamos um bom tempo na água, nadando, conversando ou só curtindo os movimentos, agora leves, daquela imensidão de água, pulsante como se fosse viva.
Quando não estava nadando ou repassando meu filtro solar, estava sentada na sombra, lendo. Terminei o "Mulheres - filosofia ou coisas do gênero", e comecei a ler o "Homos juridicos - ensaios sobre a função antropológica do direito".
De textos feministas a pirações a respeito da função do direito, a necessidade da dogmática em todas as áreas do conhecimento e as crenças que permeiam até a mais exata das ciências, e outras piras sobre a civilização ocidental e a individualidade... Enfim, só leiturinhas leves na praia, é claro.
Mas pior do que ler coisas assim na praia, é ler coisas assim de forma concentrada, e ainda ficar tão empolgada com a leitura que começa a falar as idéias básicas para os familiares, discutí-las enquanto nada no mar, e apaixonar-se pela coisa toda. É, eu realmente escolhi o curso certo. Falando em curso, aliás, ontem eu fiquei sabendo das notas de PJ... E sim, independente de eu ter tirado MS no maldito fichamento grande e não ter feito alguns dos fichamentos pequenos, eu fiquei com um SS... É, coisas de ABC. Mas bem, quem sou eu para reclamar?
Das minhas notas, então, ficou tudo SS até onde eu sei (quer dizer, falta a de filosofia, que é uma enorme incógnita para mim). De uma forma ou de outra, já estou mais do que contente com os meus resultados ^^
Enfim, depois de algumas repetições desse ciclo nadar-passar filtro solar-ler, fomos todos para um restaurante gostoso aqui perto, a "Casa da Lagosta", comer o que sempre comemos quando vamos lá: uma caldeirada de frutos do mar, cujo acompanhamento mais querido é uma farofa com azeite de dendê. Muitos peixes e lulas e mariscos depois, cá estou eu, saciada e com aquele leeve soninho depois do almoço, escrevendo para você na varanda (esperando pelo seu post gigante com as fotos também, certo?)
Por agora, fora a saudade, a única coisa que me preocupa um pouco são as minhas queimaduras de sol: tento passar o máximo de filtro solar o possível, expô-las ao mínimo de sol o possível - mas, com licença, enquanto não estiver em estado de calamidade, não vou deixar de curtir o mar enquanto não estiver com queimaduras de segundo grau. Claro, sempre tem os macetes de entrar no mar com camiseta e tudo, e pra mim, essa parte estética é o que menos importa quando vou pra praia - afinal, a única pessoa que me chama de linda está um tanto quanto longe, e eu não quero saber de ficar bonita para mais ninguém...
Por agora, meu amor, digo apenas que sinto uma enorme saudade de você, e continuo imaginando o tempo todo como seria se você estivesse aqui, como você reagiria às coisas, o que faríamos juntos, e outros mil pequenos detalhes da sua presença que fazem tudo valer a pena... E talvez, no fim das contas, seja isso o que me faz estar calma agora, o que me faz poder aproveitar tudo o que eu tenho aqui, mesmo sem a sua presença: vale a pena esperar, meu bem. Por você, toda a espera vale a pena. Então aguentarei os vinte e seis dias sem (muitas) complicações, tratarei de apreoveitar o máximo que eu posso aqui - porque eu sei que toda a saudade e a ausência valerá a pena quando eu puder ver o seu sorriso de novo, te abraçar de novo, te beijar, ouvir a sua voz sussurrando no meu ouvido...
Enfim, para finalizar, uma foto minha e do Gus com a pousada ao fundo: sim, o nome é "Vila do Farol", o que fica bem óbvio com a representação gigante do farol atrás. Não é lá das coisas mais esteticamente agradáveis, mas é um ótimo marco de orientação quando se está andando na praia...
Te amo, lindo, 24 horas por segundo!

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