A demora para este post tão esperado se deve a diversos motivos, alguns dos quais de cunho organizacional, outros de cunho preguiçonal - afinal, num dia em que se dormiu pouquíssimo e tem coisas interessantes para ler, confesso que não fui muito dedicada em escrever. De uma forma ou de outra, com ou sem atraso, aqui vai o relato completo da formatura, sem censura a não ser o que minha memória já apagou.
As agitações daquela noite começaram bem antes de entrarmos no salão - pelas doideiras do trânsito, a loja já estava fechando quando o Ilton veio buscar o terno, então ele foi se vestir aqui em casa. Depois de algumas ajudinhas básicas como passar base na espinha da testa e abotoar aquele botão bizarro e dificíliomo de se abotoar, fomos, enfim, para o carro. Foi só então que o Ilton descobriu que havia deixado os convites na casa dele, que fica do outro lado da cidade... Como isso não é novidade para ele (uma alma esquecida afim! ), já começamos a maquinar planos para, erm... entrar de penetra na nossa própria festa.
Primeiramente, sobre o estacionamento: papai é sócio do clube onde a festa de formatura foi, e eu sou dependente dele, então, mesmo morando em Brasília, ainda tenho o meu número lá. Assim, para não arrumarmos barraco logo na portaria do clube e ainda de cara estacionarmos lá dentro, ao invés de fora, como a maioria dos convidados, eu peguei o volante do carro dele umas duas quadras antes de chegarmos ao clube.
Claro que é só lá que eu descubro que o carro naõ tem direção hidráulica. Hehe.
Mas tudo bem, no final deu tudo certo -aos trancos e barrancos consegui entrar lá, o carro não morreu nenhuma vez e eu não bati em ninguém (e, de cara, até estacionei bonitinho!). Mesmo assim, era deveras estranho, e o Ilton riu litros, dizendo que era como se ele fosse dirigir uma Kombi...
Chegando lá, minha cara de no-nonsense conseguiu que o carinha dos convites só perguntasse "você já entregou o convite" e fosse convencido pelo meu "já". Afinal, não tinha começado a cerimônia, e havia um monte de alunos pelos jardins, entrando e saindo do salão, e não dava para controlar tudo, exatamente. Luisa entrando de penetra numa festa... hehe, há uma primeira vez para tudo.
Já o Ilton preferiu a via legal, chamando a Wanda (professora e organizadora do evento) para ajudá-lo, já que ela sabia que ele tinha comprado o convite, e, no final, acabamos sentando na mesa dela.
Quando entrei lá, encontrei diversas pessoas que já estudaram comigo, tanto os formandos quanto até gente da minha própria sala - e, de fato, me senti de volta em Curitiba - afinal, só aqui mesmo para eu ser ignorada solenemente por pessoas que conheço há quase 10 anos.
Entrar, ver as pessoas novamente pela primeira vez, naquele ambiente que tinha sido exatamente o mesmo do ano passado, em minha própria formatura, sem saber bem o que fazer... De repente, uma sensação familiar de aperto no peito e tendência a olhar rápido para todos os lados me revelou um velho sentimento, que não aflorava assim desde meus tempos de escola: aquela intimidação, aquele medo... Não é exatamente um medo de algo ou alguém, está mais para uma agonia de uma situação social desfavorável, como a agonia do peixe quando é puxado pelo anzol... Como um filhote de ataque de pânico, só que interno e muito mais inofensivo. Via aqueles rostos tão familiares me ignorando, aquele turbilhão de pessoas e sentia tão claramente o quão eu não pertencia àquele lugar (seria não pertencia mais àquele lugar, ou que de fato nunca tinha pertencido? mistério, mistério...). Todos sentavam-se para a cerimônia, e não pude cumprimentar quase ninguém - mas, depois de um tempo quieto de volta total da Luisa-de-Curitiba, percebi o quanto aquilo era ridículo.
"Tá com medinho de que, Luisa? Das oitavas séries, quase da idade do Gus, e que sempre foram simpáticos comigo? Ou dos formandinhos bobos, que provavelmente não vieram falar porque têm medo de você? Você vai se sentir intimidada por esses franguinhos agora, depois de passar na UnB e ter uma vida mil vezes melhor?" - assim, durante a cerimônia chatinha e os discursos ora clichês, ora melosos, ora absurdamente irônicos aos meus olhos (e, com a ajuda de uma caipirinha de morango amiga) ergui o rosto e fiquei com as costas retas, encarando com serenidade aquilo tudo, fora o eventual comentário trocado com o Ilton - ah é, e fora o bizarríssimo hino nacional.
Pois bem, imagine só o hino nacional cantado, na gravação, no sotAAAquEEE Curitibano mais acentuado que se possa imaginar. Então ficava. "do povo heróico um brado retumbantEEE (sim, com o som de "ê", mesmo.) E lá vai a Luisa segurar o riso, e imaginar como seria a sua reação quando estivesse aqui? Seria divertido ver o conflito: respeito pelo símbolo nacional X risadas pelo sotaque pronunciado e exótico. Porque, veja bem, nem o Curitibano mais ortodoxo vai falar "liberdadEEE" com o E tão pronunciado. Enfim, ri litros internamente.
Depois da cerimônia, com os típicos videozinhos e discursinhos e lalalá lalalá, o Ilton já me puxou para a fila do jantar, para que pudéssemos comer alguma coisa (e pra caipirinha DELE não subir de mais na cabeça, ja´que ele estava de estômago vazio, e eu tinha avisado que, se ele fizesse besteira, eu iria sair correndo para a mesa da Luiza e fingir que não o conhecia). Lá, uma enorme surpresa: encontrei o "seu" Antônio Carlos, que dirigia o transporte escolar desde quando eu estava na segunda série até a quinta, sexta série... Foi tão bom vê-lo de novo e conversar sobre o que eu estava fazendo, sobre como o Luiz Gustavo estava enorme e tudo o mais... Na própria fila encontrei uma infinidade de pessoas queridas, alguns raros alunos simpáticos, amigos de meu irmãozinho que gostavam de mim, professoras, atuais e antigas, que perguntavam da nossa família, enfim, algumas pessoas queridas que tinha encontrado lá. A sensação de hostilidade já tinha parado faz tempo, e descobri que, mesmo naquele velho e, ao mesmo tempo novo ambiente, já agia como a Luisa que sou agora, sem as amarras de antigamente - sorrindo, falando, abraçando e contando histórias de Brasília, sem o embaraço e desconfiança de antes.
Comemos, o que foi normal por si só e, enquanto o Ilton se ocupava em suas "intrigas palacianas", fui falar com a Luiza, que teve uma tragetória tão similar à minha, para novamente abraçá-la e cumprimentá-la pela etapa que ficava para trás (algo como "bem-vida à sua vida, Luiza!).
Depois de um tempo conversando com a Luiza e os pais dela, tão simpáticos, a música começou e fomos dançar...
Mas o tempo, infelizmente, é um bem escassíssimo hoje - mamãe quer fazer compras de Natal comigo, e não tenho tempo para terminar.
Morro de saudades de você, lindo, e continuarei assim que puder
(ah, é, e eu tirei um SS em Ciência Política! ISSA!)
Beijos e mais beijos e mais beijos e mais beijos, meu amor!
Nenhum comentário:
Postar um comentário