Um pequeno histórico sobre minha relação com elas é necessário. Dá pra dividir em três fases principais. A primeira, infância. Segunda, Colégio Militar. Terceira, pós-CM. Na primeira reina o medo. Acho que o fato de que meu pai me levar num barbeiro meio velho, com uma cara de homicida, e ele usar aquelas navalhas gigantes ajudou. Enfim, era uma criança que, apesar de nunca deixar o cabelo crescer muito.
Depois veio a fase Colégio Militar. E foi lá que começou a se formar a minha relação com barbearias. Enquanto quando criança tinha sempre a companhia de meu pai, que, apesar de não dizer uma palavra, tratava dos "trâmites" com o barbeiro, lá no CM eu tinha que resolver o "negócio" sozinho. E acho que o fato de, na barbearia do Colégio Militar, usando uniforme, só ser possível a escolha de um corte de cabelo, o famoso "padrão", ajudou e muito o meu silêncio em barbearias. Minha relação com elas é isso. Silêncio. E não tem nenhuma distração. Não presto atenção no papo do lado, não leio jornal, não presto atenção na televisão. O máximo que acontece é eu dar uma pseudo-dormidinha, já que o cochilo mesmo não é possível, já que eu tenho que sustentar a cabeça pro barbeiro não cortar a minha orelha.
Terceira fase, pós-CM. Aí a coisa muda. Embora não muito. Continuo com o silêncio. Só que agora eu tenho que dizer o que eu quero que ele faça com meus cabelos. Acaba que eu peço aquilo que já faziam no colégio, com uma ou outra mudançazinha besta. (Acaba de começar "A procura da felicidade", já viu? um dos poucos filmes que já me fizeram chorar...). Definitivamente não sou daqueles que viram amigos dos barbeiros.

Tudo isso, amor, pra te avisar que finalmente cortei minhas madeixas. Não há mais cachinhos. Enfim, acho que cortei demais. Não haverá cachinhos em Curitiba, eu acho. Mas enfim, ainda temos 31 dias de distância. 31 dias é bastante para o cabelo crescer. 31 dias é bastante para a saudade crescer.
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