segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

As ruas de Curitiba




Aconteceu várias vezes durante esses dias: uma vez para pegar ônibus e ir encontrar meus pais pro almoço, outra vez para tomar sorvete com meu pai e meu irmão, e ainda uma outra para ir e voltar do supermercado, ou qualquer pequena coisa corriqueira - o fato é que, nos últimos dias, tenho andado um tantinho pelas ruas de Curitiba.
Não que haja nada de super-mega-diferente nas nossas ruas, ou até mais especificamente, nas ruas do Boa Vista, bairro onde fica meu apartamento aqui - ruas de asfalto, árvores em constante conflito com as linhas de eletricidade, calçadas meio mal-cuidadas e rachadas pelas raízes de árvore, gramadinhos cheios de cocô de cachorro e aquela calma de um bairro residencial sem grandes badalações.

Mas depois de me acostumar com os gramados enormes, o sol inclemente e os mil momentos "off-road" que acompanham qualquer pessoa que ouse andar um tiquinho a pé em Brasília, é gostoso voltar a uma das coisas que eu sempre gostei dessa cidade.


A primeira coisa que noto é o ar: aquele ar mais frio, de sentir que estamos no Sul mesmo, com aquele vento que não é uma brisa refrescante, mas sim um pouquinho cortante e gelado, com um grande potencial de arrepiar. O sol também é difernete por aqui - é igualmente claro e me deixa fotofóbica do mesmo jeito - mas é um sol mais fraquinho que, mesmo ao meio dia, fica apenas morno em minhas costas, sem a opressão incinerante do enorme e soberano sol de Brasília. Ando pelas ruas quietas e vejo a sucessão de casinhas, cheia de cachorros irritantes (principalmente aquele pintcher maldito, para o qual eu sempre lato de volta quando estou sozinha na rua)

Ao invés do horizonte giagantesco que sempre se expande, da planície sem fim e aquela noção quase assustadora do tamanho do mundo (do qual, sabemos muito bem, vemos só um pedacinho por vez), me contento com a visão do micro, apenas do que está na minha frente. Quando olho pela janela da minha casa, consigo ver as montanhas que nos separam do litoral, e o mais longe que se vê, na rua do expresso, é até o próximo morrinho. (será que a arrogância dos curitibanos vem do fato de eles nunca se sentirem pequenos, sendo protegidos o tempo todo por barreiras naturais?) Haha, altas piras de determinismo geográfico agora, mas enfim.
Comparo agora um pouquinho a vista que tenho da janela do meu quarto aqui com a da varanda lá de casa:
De um lado, casinhas e a Serra bem ao fundo (que não dá pra ver por caosa das nuvens), e, de outro, o gramadão e os outros prédios da quadra... Claro que os ângulos são diferentes: enquanto eu olho para o lado e em zoom na foto de Curitiba, para captar o que tem mais atrás, aqui em Brasília é o óbvio mesmo, e não os pedacinhos do eixão ou do lago que eu tenho, se procurar ângulos diferentes. O fato é que os dois, sendo diferentes, simplesmente não são comparáveis. Se aqui, de vez em quando vejo montanhas, por lá vejo o lago, tão lindo e com tantas cores. Se aqui tenho a vantagem de poder "andar sem rumo" por ruazinhas com a sombra das árvores, por lá tenho o céu mais lindo do mundo. Se aqui tenho, por hora, um verão fresco, por lá tenho tempestades lindas de se ver, e posso (teoricamente) ir à piscina o ano todo.
Mas o fato é que é gostoso caminhar pelas ruas aqui da vizinhança, ir tomar um sorvete de maracujá enquanto está friozinho, comer um cachorro-quente da esquina, ir até a locadora... Sei lá, Curitiba fica tão mais bonita quando vejo-a com minha mente em paz com o mundo, e posso fazer as pazes com uma cidade que já me fez passar por alguns maus bocados...
Agora, meu bem, só me resta esperar para que possa percorrer essas ruas contigo...

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